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Nariz em sela: devolver estrutura antes de devolver formato.

A sela costuma vir acompanhada de obstrução nasal e perda de sustentação interna. A reconstrução devolve estrutura antes de devolver formato, e o plano depende da causa, da pele e da cartilagem disponível.

Publicado em 26 de julho de 2026Atualizado em 15 de outubro de 2026Revisado por Dr. Guilherme Sella8 min de leitura

O nariz em sela é o afundamento do dorso nasal causado por perda do suporte do septo cartilaginoso. Aparece após trauma, hematoma de septo não drenado, cirurgias prévias com ressecção excessiva, perfuração septal, uso de cocaína ou doenças inflamatórias. Quase sempre vem junto com obstrução nasal, porque a mesma estrutura que sustenta o dorso mantém a válvula nasal aberta. A reconstrução exige enxerto de cartilagem, em geral de costela, para reconstruir o suporte septal e o dorso. O Dr. Guilherme Sella, otorrinolaringologista e cirurgião facial em Maringá, investiga a causa antes de operar. A indicação é individual e definida em consulta.

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Dr. Guilherme Sella, otorrinolaringologista e cirurgião facial em Maringá · Nariz em sela: como é a reconstrução
Dr. Guilherme Sella, otorrinolaringologista e cirurgião facial em Maringá

O que é o nariz em sela

O dorso do nariz se apoia em uma estrutura central: o septo, formado por cartilagem na frente e osso atrás. Quando essa cartilagem perde altura ou é destruída, o dorso desaba e surge a deformidade conhecida como nariz em sela.

O aspecto costuma ser típico. O dorso afunda na parte média, a ponta gira para cima, a columela fica retraída e as narinas aparecem mais do que o normal de frente. Em casos mais avançados, a pele do dorso parece sobrar sobre uma estrutura que encolheu.

A parte funcional é tão importante quanto a estética. O septo e as cartilagens laterais sustentam a válvula nasal interna, a região mais estreita da via aérea. Por isso a maioria das pessoas com sela descreve nariz entupido, respiração pela boca, ronco e sensação de colapso ao inspirar forte. Tratar apenas o formato, sem reconstruir o suporte, deixa o problema respiratório de lado.

As causas mais comuns

Identificar a causa muda o planejamento e o momento da cirurgia. As situações mais frequentes são:

  • Trauma nasal. Fraturas com desvio ou fratura do septo podem reduzir o suporte central anos depois do acidente.
  • Hematoma de septo não drenado. Um sangramento entre as camadas do septo após trauma pode destruir a cartilagem em poucos dias. É a causa clássica em crianças e adolescentes.
  • Cirurgia nasal prévia. Septoplastias ou rinoplastias com remoção excessiva de cartilagem septal ou de dorso podem levar à perda de sustentação. Esse grupo é tratado dentro do campo da rinoplastia secundária.
  • Perfuração septal. Perfurações grandes enfraquecem o apoio do dorso e podem evoluir com afundamento progressivo.
  • Uso de cocaína e vasoconstritores tópicos em excesso. Reduzem a vascularização da mucosa e podem levar à perda de cartilagem e osso.
  • Doenças inflamatórias e autoimunes. Granulomatose com poliangiite, policondrite recidivante e sarcoidose estão entre as causas descritas na literatura.
  • Infecções específicas. Sífilis, hanseníase e leishmaniose são causas históricas, ainda descritas em algumas regiões.

Quando existe suspeita de doença inflamatória ou de uso de substâncias, a investigação clínica e laboratorial vem antes da reconstrução. Operar um nariz com inflamação ativa aumenta o risco de reabsorção do enxerto e de nova deformidade.

Como o diagnóstico é feito na consulta

A avaliação do nariz em sela leva tempo, porque mistura história clínica, exame funcional e planejamento estrutural. Na consulta, o roteiro costuma incluir:

  1. Anamnese detalhada sobre traumas, cirurgias anteriores, uso de medicações e sintomas respiratórios.
  2. Exame físico externo e exame interno do nariz, com avaliação de septo, cornetos, válvulas e mucosa.
  3. Fotografias padronizadas e simulação digital, que ajuda a alinhar expectativas.
  4. Avaliação do que ainda existe de cartilagem disponível.

O ultrassom dermatológico de alta frequência é usado em casos selecionados. Ele ajuda a medir a espessura da pele, identificar enxertos de cirurgias anteriores, mapear fraturas antigas, detectar preenchedores e avaliar a vascularização da columela. Em quem já colocou ácido hialurônico no dorso para disfarçar a sela, essa informação muda a conduta.

A sela é um problema de estrutura. O planejamento começa por entender quanto suporte foi perdido e de onde virá o material para reconstruí-lo.

Por que a costela costuma ser necessária

A reconstrução precisa de cartilagem em quantidade e com rigidez suficiente para sustentar o dorso e a ponta. Na sela, o septo, que seria a primeira fonte de enxerto, costuma ser justamente a estrutura ausente ou fragilizada. Sobra pouco ou nada para usar.

Fonte de enxertoQuantidadeRigidezPapel típico na sela
SeptoLimitada ou ausenteBoaRaramente suficiente quando a sela é a causa
OrelhaPequenaBaixa, cartilagem curvaRefinamento de ponta e camuflagem, não sustentação
Costela própriaAmplaAltaReconstrução do suporte central, dorso e ponta

Por isso a rinoplastia com enxerto de costela é a estratégia mais usada nesses casos. A cartilagem costal permite esculpir uma peça para substituir o septo perdido, um enxerto de dorso para corrigir o afundamento e estruturas de apoio para a ponta e a columela. O conceito segue a lógica da rinoplastia estruturada, em que cada enxerto tem função mecânica definida.

A costela é retirada em geral da sexta ou sétima cartilagem costal, por incisão no sulco abaixo da mama ou na linha do tórax, de acordo com a anatomia. O ultrassom pré-operatório ajuda a escolher o segmento com melhor qualidade e grau de calcificação. Em adultos mais velhos, a calcificação é um fator relevante no planejamento.

Técnicas de preservação de dorso, descritas em artigos dos quais o Dr. Sella é coautor em revistas internacionais, se aplicam a narizes com dorso íntegro. No nariz em sela o raciocínio é oposto: existe dorso faltando e o objetivo é devolvê-lo.

Como é a cirurgia

A reconstrução costuma ser feita por via aberta, com incisão na columela, porque é a abordagem que permite posicionar e fixar enxertos com precisão. A anestesia é geral. O tempo cirúrgico é maior que o de uma rinoplastia primária, já que inclui a retirada e a escultura da cartilagem costal.

A internação é de 12 a 24 horas, no Saine Health Complex, hospital em Maringá com UTI e intensivistas 24 horas. O curativo externo rígido fica cerca de 7 dias, seguido de esparadrapagem por mais uma semana. Em alguns casos é usado um splint interno de silicone por cerca de 10 dias. Tampão nasal não é a regra.

Quando existe obstrução associada, a parte funcional é tratada no mesmo tempo cirúrgico, com septoplastia, turbinoplastia ou correção de válvula, dentro do escopo da rinoplastia funcional.

Pós-operatório e expectativas realistas

O pós-operatório segue o mesmo cronograma da rinoplastia, com um detalhe a mais: o tórax. A área da costela costuma doer nos primeiros dias, principalmente ao tossir e ao levantar da cama, e melhora de forma progressiva.

Pontos gerais que valem para esse tipo de caso:

  • Edema e hematoma ao redor dos olhos podem durar até cerca de 15 dias.
  • Cabeceira elevada por 10 dias ou mais e gelo nas duas primeiras semanas.
  • Sem óculos apoiados no nariz por 4 semanas.
  • Exercícios leves após 15 dias, sol e piscina apenas depois de 1 mês, protetor solar por 3 meses.
  • Nunca assoar o nariz; lavagem com soro conforme orientação.

Sobre o resultado, a conversa precisa ser honesta. O objetivo é devolver suporte, melhorar o contorno do dorso e a respiração. O resultado definitivo leva de 6 a 12 meses, podendo chegar a 18 meses em pele espessa e em narizes já operados. A simulação digital serve como direção de planejamento, com semelhança aproximada de 60 a 70 por cento. Enxertos de costela podem apresentar reabsorção parcial ou tendência a entortar ao longo do tempo, e a literatura descreve taxas de revisão em rinoplastia que variam em torno de 5 a 15 por cento, maiores em casos reconstrutivos. Esses riscos são discutidos caso a caso antes da decisão.

Pacientes de outras cidades e do exterior

Casos de nariz em sela chegam com frequência de fora de Maringá. O fluxo para pacientes de outras cidades começa com teleconsulta, seguida de exames feitos na cidade de origem. A chegada é recomendada 1 ou 2 dias antes da cirurgia, com permanência de cerca de 7 dias até a retirada do curativo. O voo é liberado após essa retirada.

Os retornos acontecem em 1, 3, 6 e 12 meses, presenciais ou online. A equipe orienta hospedagem e atende em português, inglês e espanhol. Acompanhante é recomendado na primeira semana. Maringá tem aeroporto com voos diretos de São Paulo e Curitiba, além de acesso rodoviário do interior paulista, do Mato Grosso do Sul e do Paraguai.

Quando procurar o Dr. Sella

Vale marcar uma avaliação se você percebe afundamento do dorso após trauma ou cirurgia, se a ponta do nariz girou para cima ao longo do tempo, se há perfuração de septo conhecida ou se a respiração piorou junto com a mudança de formato. Casos com suspeita de doença inflamatória precisam de investigação antes de qualquer planejamento cirúrgico.

O Dr. Guilherme Sella é otorrinolaringologista com doutorado pelo HCFMRP-USP e atua em rinoplastia com foco em função e estrutura, em Maringá. Toda indicação, incluindo a escolha do enxerto e o momento da cirurgia, é definida na consulta, após exame e discussão individual dos riscos.

Dr. Guilherme Sella
Revisado por Dr. Guilherme Sella

Otorrinolaringologista e cirurgião facial · CRM-PR 33.018 · RQE 17.984. Doutor pela FMRP-USP, fundador do Sella Learning Center. Atualizado em 2026-10-15.

Perguntas frequentes

Nariz em sela sempre precisa de costela?

Não necessariamente. Em selas muito discretas e com septo preservado, pode haver cartilagem suficiente no próprio septo ou na orelha. Na maioria dos casos moderados e graves, porém, o septo já está comprometido e a costela é a fonte com quantidade e rigidez adequadas.

A reconstrução melhora a respiração?

Esse é um dos objetivos principais, porque a estrutura que sustenta o dorso também mantém a válvula nasal aberta. Quando há desvio, hipertrofia de cornetos ou colapso valvar associados, esses pontos são tratados no mesmo tempo cirúrgico. O grau de melhora é individual.

A cicatriz da costela fica aparente?

A incisão é feita em uma linha discreta do tórax, escolhida conforme a anatomia, e costuma amadurecer ao longo de meses. Cuidados com sol e protetor solar na região ajudam na evolução da cicatriz.

Quanto tempo depois do trauma posso operar?

Fraturas recentes podem ter conduta diferente da deformidade já consolidada. Em geral a reconstrução definitiva é planejada após a estabilização dos tecidos e, quando há doença inflamatória envolvida, só com a doença controlada. O momento é definido em consulta.

O ácido hialurônico resolve o nariz em sela?

Preenchedores podem disfarçar irregularidades leves, mas não devolvem suporte estrutural nem melhoram a respiração. Em selas verdadeiras, a indicação é cirúrgica. O ultrassom ajuda a identificar preenchedores antigos antes de qualquer cirurgia.

Moro em outro estado. Como funciona o acompanhamento?

A avaliação inicial pode ser por teleconsulta, com exames feitos na cidade de origem. A permanência em Maringá costuma ser de cerca de 7 dias, e os retornos de 1, 3, 6 e 12 meses podem ser presenciais ou online.

O nariz em sela piora com o tempo se eu não operar?

Depende da causa. Quando existe perfuração septal grande, inflamação ativa ou uso continuado de substâncias que agridem a mucosa, o afundamento tende a progredir, porque o suporte central continua sendo perdido. Em casos antigos e estáveis, como sequela de trauma de infância, a deformidade costuma permanecer parecida por anos. Só o exame do nariz, incluindo a avaliação interna, mostra em qual situação você está.

Quais exames são pedidos antes de reconstruir um nariz em sela?

Além dos exames de rotina pré-operatórios, o Dr. Sella pode solicitar exames laboratoriais para investigar doenças inflamatórias e autoimunes quando a história sugere essa origem, às vezes com apoio de reumatologista ou infectologista. Tomografia dos seios da face ajuda a ver o que restou do septo e das estruturas ósseas. O ultrassom nasal de alta frequência é usado para avaliar a espessura da pele, cicatrizes e enxertos de cirurgias anteriores. A lista final de exames é definida na consulta.

Já usei cocaína no passado. Ainda posso fazer a reconstrução?

É possível em muitos casos, desde que o uso esteja interrompido e a mucosa nasal tenha se recuperado, sem sinais de inflamação ou destruição em atividade. Operar com lesão ativa aumenta o risco de reabsorção do enxerto e de nova deformidade, por isso costuma ser necessário um período de estabilidade documentada antes da cirurgia. Essa conversa é feita com franqueza e sigilo na consulta, porque muda todo o planejamento.

A cirurgia de nariz em sela é mais demorada que uma rinoplastia comum?

Em geral sim. A reconstrução do suporte septal exige preparo e modelagem dos enxertos, muitas vezes de costela, e quase sempre é feita por via aberta para posicionar as estruturas com precisão. O tempo cirúrgico tende a ser maior que o de uma rinoplastia primária, que costuma durar de três a cinco horas, e a internação segue entre doze e vinte e quatro horas. O tempo estimado do seu caso é informado após o planejamento.

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