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Rinoplastia depois de PMMA no nariz.

O PMMA não é reabsorvível e muda a anatomia, a pele e a vascularização do nariz. Operar depois dele exige mapeamento por ultrassom, remoção planejada e, quase sempre, reconstrução com enxertos.

Publicado em 25 de julho de 2026Atualizado em 15 de outubro de 2026Revisado por Dr. Guilherme Sella7 min de leitura

Sim, é possível fazer rinoplastia depois de PMMA no nariz, mas o planejamento muda. O PMMA é um preenchedor permanente e não reabsorvível, que se integra ao tecido e pode formar fibrose, nódulos ou inflamação tardia. O primeiro passo é o ultrassom dermatológico de alta frequência, que mostra onde o material está, qual a profundidade e como está a vascularização da pele. A cirurgia costuma combinar remoção do PMMA acessível com reconstrução estruturada por enxertos. O Dr. Guilherme Sella avalia cada caso individualmente, já que a remoção total nem sempre é possível e o resultado depende da qualidade da pele remanescente.

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Dr. Guilherme Sella, otorrinolaringologista e cirurgião facial em Maringá · Rinoplastia depois de PMMA no nariz
Dr. Guilherme Sella, otorrinolaringologista e cirurgião facial em Maringá

O que é PMMA e por que ele muda tudo no nariz

PMMA é a sigla de polimetilmetacrilato. São microesferas de acrílico suspensas em um gel, injetadas para dar volume. Ao contrário do ácido hialurônico, o PMMA não é reabsorvido pelo corpo e não tem substância que o dissolva. O organismo reage criando tecido fibroso ao redor das microesferas. Esse tecido é o que sustenta o volume, e é também o que cria dificuldade anos depois.

No nariz, o problema é maior do que em outras regiões da face. A pele nasal é fina em algumas áreas, a vascularização é delicada e o espaço entre a pele e a cartilagem é pequeno. Quando o material se espalha nesse plano, ele passa a fazer parte do envelope cutâneo. Separar um do outro deixa de ser simples.

Por isso o Dr. Sella não indica o que o mercado chama de rinomodelação definitiva com PMMA ou silicone líquido, nem fios de PDO no nariz. Quando há indicação de preenchimento, ele usa ácido hialurônico em situações limitadas e guiado por ultrassom, justamente porque esse produto é reversível.

Quais problemas levam o paciente a procurar cirurgia

Nem todo nariz com PMMA dá problema, e muita gente convive bem com o resultado por anos. As queixas mais comuns em consulta são:

  • Contorno irregular, com elevações visíveis sob a luz lateral
  • Nódulos palpáveis no dorso ou na ponta
  • Nariz que ficou mais largo ou mais pesado com o tempo
  • Episódios de inchaço, vermelhidão ou dor, às vezes anos depois da aplicação
  • Infecção tardia ou granuloma, que pode aparecer após uma gripe, um procedimento dentário ou outra aplicação na face
  • Pele brilhante, afinada ou com alteração de cor sobre a área tratada
  • Obstrução nasal associada, quando há desvio de septo ou alteração de válvula não resolvidos

Em alguns casos a motivação é estética pura. O paciente fez o preenchimento para disfarçar uma giba ou projetar a ponta, e hoje quer o nariz realmente operado.

Por que o ultrassom vem antes de qualquer decisão

O exame físico mostra o contorno. Ele não mostra o que está embaixo. O ultrassom dermatológico de alta frequência é o exame que transforma o planejamento nesses casos, e a clínica em Maringá conta com esse recurso no próprio local.

O que o ultrassom permite ver:

  • Se o material é mesmo PMMA ou outro produto, pelo padrão de imagem
  • Em qual plano ele está, se superficial, subcutâneo ou junto ao pericôndrio
  • A extensão do depósito e se há coleções ou sinais inflamatórios ao redor
  • A espessura real da pele em cada ponto do nariz
  • A vascularização da columela e das subunidades, informação importante quando se planeja descolar o envelope
  • Se existem enxertos de cirurgias anteriores misturados ao material

Essa leitura muda a conduta. Um PMMA superficial e bem delimitado é diferente de um material difuso, infiltrado entre a pele e a cartilagem. O exame também ajuda a decidir se vale operar agora ou tratar primeiro uma inflamação ativa.

A remoção é sempre possível?

A resposta honesta é que a remoção completa raramente é garantida. O PMMA não forma uma cápsula única que possa ser retirada inteira, como uma prótese. Ele se mistura ao tecido fibroso. O que o cirurgião faz é remover o material acessível e o tecido alterado, preservando o máximo de pele viável.

A conduta costuma seguir três cenários:

  1. Material localizado e superficial. Remoção mais previsível, com reconstrução menor.
  2. Material difuso em plano profundo. Remoção parcial, priorizando áreas de irregularidade e de risco, com aceitação de que algum resíduo permanece.
  3. Inflamação ou infecção ativa. Tratamento clínico primeiro, com antibiótico e corticoide conforme o caso, e cirurgia depois que o quadro esfria.

Remover tudo a qualquer custo pode custar a pele. Pele nasal sofrida não se recupera, e a prioridade é manter um envelope com vascularização suficiente para cicatrizar.

Como é planejada a cirurgia

Na prática, essa cirurgia se comporta como uma rinoplastia secundária, mesmo que o paciente nunca tenha operado o nariz. O tecido está alterado, os planos de dissecção não são naturais e a cicatrização é diferente.

Alguns pontos do planejamento:

  • Via aberta é a escolha na maioria dos casos, pela necessidade de visão direta do material e de controle dos enxertos
  • Enxertos quase sempre entram em cena, porque a remoção deixa áreas de perda de volume e de apoio. O septo é a primeira fonte. Quando ele já foi usado ou é insuficiente, entram orelha ou costela
  • Reconstrução estruturada dá sustentação ao nariz que perdeu suporte, seguindo os princípios da rinoplastia estruturada
  • Parte funcional é avaliada junto. Septo, cornetos e válvulas entram no mesmo tempo cirúrgico quando há obstrução, algo descrito em rinoplastia funcional
  • Tempo cirúrgico maior que o de uma rinoplastia primária, pela dissecção mais lenta
  • Cirurgia em dois tempos é uma possibilidade real em casos inflamados ou com pele muito comprometida. Remove-se o material em um primeiro momento e reconstrói-se meses depois

Nariz sem preenchimento x nariz com PMMA

AspectoRinoplastia primáriaRinoplastia após PMMA
Exame pré-operatórioFotos, exame físico, ultrassom quando indicadoUltrassom praticamente sempre indicado
Plano de dissecçãoAnatômico e previsívelFibrosado e irregular
Via de acessoAberta ou fechadaAberta na maioria
Necessidade de enxertosVariávelAlta
Fonte de enxertoSepto costuma bastarPode exigir orelha ou costela
Duração3 a 5 horasCostuma ser maior
Edema pós-operatórioPadrãoMais prolongado
Resultado definitivo6 a 12 mesesPode chegar a 18 meses
PrevisibilidadeMaiorMenor, discutida caso a caso

Riscos específicos que precisam ser conversados

Além dos riscos de qualquer rinoplastia, como sangramento, infecção, assimetria e necessidade de retoque, existem riscos próprios desse cenário:

  • Irregularidade residual, porque parte do material pode permanecer
  • Retração ou afinamento da pele sobre áreas de remoção extensa
  • Sofrimento cutâneo em pele previamente comprometida
  • Inflamação tardia em resíduos de material, mesmo depois da cirurgia
  • Perda de projeção ou de sustentação, exigindo mais enxertos do que o previsto
  • Chance de revisão acima da faixa de 5 a 15 por cento descrita na literatura para rinoplastias primárias

Essa conversa acontece na consulta, com as imagens do ultrassom na tela. A simulação digital é feita, com a ressalva habitual de semelhança aproximada de 60 a 70 por cento, e com honestidade sobre o que a pele daquele nariz permite.

Prazos: do preenchimento à cirurgia e da cirurgia ao resultado

Não existe um prazo fixo de espera depois da aplicação de PMMA, porque o material não desaparece. O que se espera é a estabilidade clínica. Se houve episódio inflamatório recente, o habitual é aguardar que o quadro fique frio antes de operar, com controle por imagem.

Depois da cirurgia, o caminho segue o roteiro de qualquer rinoplastia, com edema mais teimoso. Placa externa por cerca de sete dias, esparadrapagem na semana seguinte, retorno gradual às atividades e cuidados com sol por três meses. Os detalhes estão em pós-operatório da rinoplastia. O desenho final pode levar de 12 a 18 meses para aparecer.

Pacientes de outras cidades e do exterior conseguem organizar esse percurso com teleconsulta inicial e cerca de sete dias em Maringá, conforme descrito em pacientes de outras cidades.

Quando procurar o Dr. Sella

Vale marcar avaliação se você colocou PMMA no nariz e percebe irregularidade, nódulo, episódios de inchaço ou vermelhidão, piora da respiração ou simplesmente quer entender o que existe embaixo da sua pele antes de pensar em cirurgia. A avaliação inclui exame interno do nariz, fotografias padronizadas e ultrassom quando indicado. A indicação, os riscos e o plano cirúrgico são individuais e definidos em consulta.

Dr. Guilherme Sella
Revisado por Dr. Guilherme Sella

Otorrinolaringologista e cirurgião facial · CRM-PR 33.018 · RQE 17.984. Doutor pela FMRP-USP, fundador do Sella Learning Center. Atualizado em 2026-10-15.

Perguntas frequentes

PMMA no nariz pode ser dissolvido como o ácido hialurônico?

Não. O PMMA é um material permanente e não existe substância que o dissolva. A única forma de retirá-lo é cirúrgica, e a remoção costuma ser parcial, limitada ao material acessível e ao tecido alterado ao redor.

Preciso remover o PMMA antes de fazer a rinoplastia?

Na maioria dos casos a remoção e a reconstrução acontecem no mesmo tempo cirúrgico. Em narizes com inflamação ativa ou pele muito comprometida, o cirurgião pode optar por fazer a remoção primeiro e reconstruir meses depois.

O ultrassom é obrigatório antes da cirurgia?

Ele não é obrigatório por lei, mas é altamente recomendado nesses casos. O ultrassom dermatológico de alta frequência mostra a localização e a profundidade do material, a espessura da pele e a vascularização, informações que mudam o planejamento cirúrgico.

A cicatriz ou a pele ficam piores depois de retirar PMMA?

A pele que recebeu PMMA pode estar mais fina, fibrosada ou com vascularização alterada, o que aumenta o risco de retração e irregularidade. Por isso o cirurgião prioriza preservar o envelope cutâneo, mesmo que isso signifique deixar algum resíduo de material.

Quanto tempo depois da aplicação de PMMA posso operar?

Não há prazo fixo, já que o material não é reabsorvido. O critério é a estabilidade clínica: se houve episódio recente de inflamação ou infecção, espera-se o quadro esfriar antes da cirurgia, com acompanhamento por imagem.

A chance de precisar de retoque é maior nesses casos?

Sim. A literatura descreve taxas de revisão de 5 a 15 por cento em rinoplastias primárias, e narizes com preenchedor permanente tendem a ficar acima disso, pela cicatrização menos previsível. Qualquer retoque é avaliado após 12 meses.

Dá para saber se o que tenho no nariz é PMMA se eu não lembro o nome do produto aplicado?

Em muitos casos sim. O ultrassom dermatológico de alta frequência mostra padrões de imagem diferentes para ácido hialurônico, PMMA e outros materiais, além do plano em que estão depositados. Levar qualquer nota fiscal, receita ou registro da aplicação ajuda na interpretação. A definição final é feita na consulta, somando história, exame físico e imagem.

A rinoplastia em nariz com PMMA é mais demorada que uma rinoplastia comum?

Costuma ser, porque a dissecção precisa ser mais lenta para separar o material do envelope cutâneo sem comprometer a vascularização da pele. Em geral também é necessária reconstrução com enxertos, o que soma tempo cirúrgico. O tempo estimado do seu caso é discutido na consulta, depois do ultrassom e do planejamento.

Se o PMMA não puder ser todo retirado, vale a pena operar mesmo assim?

Em parte dos casos sim. O objetivo passa a ser remover o material acessível, tratar áreas de fibrose e irregularidade e reconstruir o contorno com enxertos, mesmo que resíduos permaneçam. O ganho possível e as limitações precisam ser explicados antes da cirurgia, porque a expectativa muda em relação a um nariz nunca preenchido.

Posso fazer a correção funcional do septo na mesma cirurgia da retirada de PMMA?

Sim, quando há indicação. Septoplastia e turbinoplastia costumam ser feitas no mesmo tempo cirúrgico, e o septo ainda pode fornecer cartilagem para os enxertos necessários na reconstrução. A clínica fornece a documentação da parte funcional para pedido de reembolso ao plano. A indicação é definida em consulta, com exame interno do nariz.

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