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Piercing no nariz e rinoplastia: o que fazer com o furo.

Quem usa piercing na asa, no septo ou no bridge precisa de alguns cuidados extras antes e depois da rinoplastia. A regra prática envolve retirada prévia, atenção à infecção e paciência com a cicatriz.

Publicado em 22 de agosto de 2026Atualizado em 7 de outubro de 2026Revisado por Dr. Guilherme Sella7 min de leitura

O piercing não impede a rinoplastia, mas precisa sair antes. O ideal é retirar de 2 a 4 semanas antes da cirurgia, para que o trajeto do furo esteja limpo e sem inflamação no dia do procedimento. Piercing em cartilagem, como o de septo, exige atenção maior por causa do risco de infecção e condrite. O furo antigo costuma fechar parcialmente e deixar uma cicatriz puntiforme discreta. A recolocação só é considerada após a cicatrização profunda, em geral a partir de 3 meses, com liberação individual definida em consulta com o Dr. Guilherme Sella.

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Dr. Guilherme Sella fotografando um paciente para planejamento · Piercing no nariz e rinoplastia: retirar, cicatriz e quando recolocar
Dr. Guilherme Sella fotografando um paciente para planejamento

Piercing no nariz atrapalha a rinoplastia?

Não impede. Milhares de pessoas que usam ou já usaram piercing operam o nariz sem intercorrência. O que muda é o planejamento. Um furo na pele ou na cartilagem é uma comunicação entre o ambiente externo e tecidos que serão manipulados na cirurgia. Isso pede cuidado com três pontos: infecção, cicatriz e o momento certo de recolocar o adorno.

Na rinoplastia, o cirurgião trabalha sobre osso, cartilagem e pele. Em muitos casos são usados enxertos de septo, orelha ou costela. Qualquer material implantado é mais sensível a contaminação do que o tecido nativo. Por isso o piercing entra na conversa desde a primeira consulta.

Quando retirar o piercing antes da cirurgia

A orientação prática é retirar de 2 a 4 semanas antes da data da cirurgia. Esse intervalo permite que o trajeto do furo, que é um túnel revestido por pele, fique seco, sem secreção e sem sinais de irritação.

Retirar na véspera ou no dia não é o ideal. Um furo recém-liberado pode estar com crosta, leve inflamação ou colonização bacteriana. Nada disso costuma causar problema no dia a dia, mas em uma cirurgia com enxertos a conta muda.

Alguns pontos importantes:

  • Piercing recente, com menos de 6 meses, merece intervalo maior sem o adorno antes de operar.
  • Furo com secreção, vermelhidão ou dor precisa ser tratado antes de marcar a cirurgia.
  • Nenhum tipo de joia pode permanecer no centro cirúrgico, inclusive os de material inerte.
  • Se o furo é muito antigo e você teme que feche, converse sobre isso na consulta antes de decidir.

Por que o piercing aumenta o risco de infecção

A pele do nariz concentra bactérias, principalmente o vestíbulo nasal. O trajeto de um piercing cria um caminho direto da superfície até planos mais profundos. Em uma cirurgia que descola a pele do esqueleto nasal, esse caminho pode se tornar porta de entrada.

O risco é maior quando há cartilagem envolvida. A cartilagem tem pouca vascularização própria e depende do pericôndrio, a membrana que a reveste. Infecção nesse território, chamada pericondrite ou condrite, pode causar perda de cartilagem e deformidade. É um evento raro, mas sério, e é o principal motivo do cuidado redobrado com o piercing de septo.

Na prática, retirar o adorno com antecedência, operar com o furo seco e seguir as orientações de pós-operatório reduz bastante essa preocupação.

O que acontece com o furo e a cicatriz

Furos antigos tendem a se fechar parcialmente quando o adorno sai. Resta uma marca puntiforme, às vezes levemente deprimida ou mais clara que a pele ao redor. Em peles mais escuras pode haver hiperpigmentação temporária.

Durante a cirurgia, o cirurgião avalia a posição do furo em relação às incisões e à nova forma da asa nasal. Em alguns casos a cicatriz do piercing fica dentro de uma área que será reposicionada ou ressecada, por exemplo em cirurgias com redução de base alar. Em outros, ela permanece e simplesmente amadurece junto com o resto da cicatrização.

Existe ainda a possibilidade de cicatriz hipertrófica ou quelóide no ponto do furo, mais comum em quem já teve reação semelhante em outras perfurações. Quem tem esse histórico deve relatar na consulta, porque isso muda a conduta e o seguimento.

Tipos de piercing e implicações na rinoplastia

TipoEstrutura perfuradaPonto de atençãoRetirada antes da cirurgia
Asa da narina (nostril)Pele e tecido mole da asaCicatriz puntiforme, relação com incisões de base alar2 a 4 semanas
SeptoPele e, às vezes, cartilagem septalRisco de condrite, interferência com uso do septo como enxerto3 a 4 semanas ou mais
Bridge ou dorso superficialPele do dorso nasalPele fina, risco de marca visível e migração4 semanas
Alargador de narinaTrajeto dilatadoFuro não fecha sozinho, pode exigir correçãoAvaliar na consulta
Furo já fechadoCicatriz residualEm geral sem impacto no planejamentoNão se aplica

Essa tabela orienta. A conduta final depende do exame físico, do tempo de uso e do estado local do furo.

Quando pode recolocar o piercing depois da rinoplastia

A referência mais usada é 3 meses. Nesse prazo a pele já está firme, o edema inicial diminuiu e os tecidos profundos ganharam resistência. Ainda assim, três meses é um ponto de partida, não um carimbo.

Alguns cenários pedem mais tempo:

  1. Rinoplastia com enxertos extensos, principalmente com costela ou enxertos de contorno próximos à área do furo.
  2. Rinoplastia secundária, em que os tecidos são mais fibrosos e a vascularização menos previsível.
  3. Pele espessa e oleosa, com edema prolongado.
  4. Cirurgia com redução de base alar, porque a posição ideal do furo muda com o novo formato.
  5. Histórico de quelóide ou cicatriz hipertrófica.

Nesses casos é comum esperar 6 meses ou mais. Vale lembrar que o resultado definitivo da rinoplastia aparece entre 6 e 12 meses, e pode chegar a 18 meses em peles espessas e em revisões. Recolocar o piercing cedo demais aumenta o risco de infecção e de deixar o furo em uma posição que não combina com o nariz final.

Quando o furo fecha e você quer refazê-lo, a perfuração deve ser feita em local com técnica adequada e material estéril, de preferência após liberação no retorno. Os retornos de 1, 3, 6 e 12 meses, descritos em pós-operatório, são o momento natural para essa conversa.

Piercing de septo, enxertos e cirurgia funcional

O septo é a principal fonte de cartilagem para enxertos em rinoplastia. Quem usa piercing de septo precisa saber que a maioria dessas perfurações atravessa a membrana flexível entre a cartilagem e a columela, e não a cartilagem em si. Mesmo assim, inflamação crônica nessa região pode deixar fibrose local.

Se há também queixa de obstrução nasal, desvio de septo ou rinite, a avaliação une estética e função, como descrito em rinoplastia funcional. O Dr. Sella é otorrinolaringologista, com doutorado concluído no HCFMRP-USP, e avalia o interior do nariz na mesma consulta.

Em casos selecionados, o ultrassom dermatológico ajuda a mapear a espessura da pele, cicatrizes e eventuais materiais prévios antes de planejar a cirurgia.

Cuidados simples que fazem diferença

  • Não recoloque o adorno por conta própria para o furo não fechar.
  • Evite manipular a região com as mãos sujas.
  • Mantenha a limpeza com soro fisiológico conforme orientado.
  • Avise a equipe se notar vermelhidão, calor, dor ou secreção.
  • Use protetor solar fator 30 por 3 meses na pele do nariz para evitar escurecimento da cicatriz.

Quando procurar o Dr. Sella

Se você usa piercing no nariz e pensa em operar, leve essa informação para a consulta. Vale contar há quanto tempo usa, se já teve infecção no furo, se já teve cicatriz elevada em outras perfurações e se pretende voltar a usar depois. Esses dados mudam o planejamento.

O atendimento é feito em Maringá, na Clínica Renassance, e também por teleconsulta para quem vem de outras cidades, com orientações específicas em pacientes de outras cidades. A indicação cirúrgica, os riscos e o prazo para recolocar o piercing são sempre individuais e definidos após avaliação presencial.

Dr. Guilherme Sella
Revisado por Dr. Guilherme Sella

Otorrinolaringologista e cirurgião facial · CRM-PR 33.018 · RQE 17.984. Doutor pela FMRP-USP, fundador do Sella Learning Center. Atualizado em 2026-10-07.

Perguntas frequentes

Preciso tirar o piercing para fazer rinoplastia?

Sim. O adorno precisa ser retirado antes da cirurgia, idealmente de 2 a 4 semanas antes, para que o trajeto do furo esteja seco e sem inflamação no dia do procedimento.

Quanto tempo depois da rinoplastia posso recolocar o piercing?

A referência mais usada é a partir de 3 meses. Em cirurgias com enxertos extensos, revisões ou pele espessa, a espera costuma ser de 6 meses ou mais, com liberação definida no retorno.

O furo do piercing deixa cicatriz no nariz?

Costuma deixar uma marca puntiforme discreta, às vezes mais clara ou levemente deprimida. Em quem tem tendência a quelóide pode haver cicatriz elevada, por isso esse histórico deve ser relatado na consulta.

Piercing de septo atrapalha o uso da cartilagem como enxerto?

Na maioria dos casos não, porque a perfuração costuma atravessar a membrana flexível e não a cartilagem. Ainda assim, inflamações repetidas podem deixar fibrose local, o que é avaliado no exame físico.

O piercing aumenta o risco de infecção na cirurgia?

O trajeto do furo é uma porta de entrada potencial para bactérias, especialmente quando há cartilagem envolvida. Retirar o adorno com antecedência e operar com a região sem secreção reduz bastante esse risco.

Posso fazer um novo furo depois que o antigo fechar?

Pode, desde que após a liberação médica e com técnica e material estéreis. Como o formato do nariz muda, muitas vezes a posição ideal do novo furo é diferente da anterior.

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