Rinoplastia de preservação no Brasil: a escola brasileira.
A preservação de dorso deixou de ser exceção e virou linha de pesquisa com assinatura brasileira. Entenda o que o Brasil acrescentou à técnica e quais perguntas fazer antes de escolher quem vai operar o seu nariz.
A rinoplastia de preservação é a técnica que trata a giba nasal sem retirar o teto do dorso, rebaixando a estrutura do osso e da cartilagem a partir da base, com manobras conhecidas como push down e let down. No Brasil, um grupo de cirurgiões ampliou as indicações da técnica e sistematizou variações que combinam preservação com enxertos quando necessário. Esse conjunto de ideias foi publicado como Brazilian Approach to Dorsum Preservation em 2023, em capítulo com coautoria do Dr. Guilherme Sella, que também assina outros artigos sobre indicações e prevenção de complicações em preservação.

O que é rinoplastia de preservação
Na rinoplastia clássica, a giba é removida. O cirurgião corta osso e cartilagem do dorso, abre um espaço chamado teto aberto e depois reconstrói esse telhado com fraturas e, muitas vezes, enxertos.
Na rinoplastia de preservação, o dorso continua no lugar. O que muda é a altura dele. O cirurgião retira tecido da base, no septo e na parede lateral, e deixa o conjunto descer como um bloco. A linha original do dorso, com sua pele, periósteo e ligamentos, é mantida.
A consequência prática é que o dorso natural tende a ser mais suave e menos dependente de camuflagem. Em compensação, o planejamento precisa ser mais preciso, porque pequenos erros de cálculo na base mudam toda a linha do perfil.
De onde vem a técnica: uma história de mais de cem anos
A ideia de rebaixar o dorso sem abri-lo é antiga. Descrições de manobras semelhantes aparecem na literatura desde o início do século XX e foram retomadas em diferentes momentos ao longo das décadas seguintes.
A técnica ficou adormecida por muito tempo. A rinoplastia do século XX consolidou-se em torno da remoção da giba e, mais tarde, da reconstrução com enxertos.
O reaquecimento veio nos anos 2000, com cirurgiões europeus que resgataram e refinaram as manobras de preservação e as apresentaram em congressos internacionais. A partir daí, grupos de vários países começaram a testar, modificar e publicar resultados. O Brasil foi um desses grupos.
O que é a escola brasileira de preservação de dorso
A expressão não designa uma técnica única. Designa um conjunto de escolhas que foi se repetindo no trabalho de cirurgiões brasileiros e acabou sistematizado em publicações internacionais.
Em 2023, a revista Facial Plastic Surgery Clinics of North America publicou o capítulo Brazilian Approach to Dorsum Preservation, assinado por Ferraz, Dewes, Ishida e Sella. O texto descreve como o grupo brasileiro indica, executa e ajusta a preservação de dorso.
Três características aparecem com clareza nessa abordagem:
- Indicações ampliadas. Narizes com giba maior, desvios de dorso e pequenas irregularidades deixaram de ser contraindicação automática. O tema foi aprofundado em Expanding Indications to Dorsal Preservation Rhinoplasty, publicado na mesma revista em 2025, também com coautoria do Dr. Sella.
- Flexibilidade entre preservação e estrutura. O dorso é preservado e a ponta recebe o suporte de que precisa, com enxertos de septo, orelha ou costela quando indicado. Preservação e técnica estruturada convivem na mesma cirurgia.
- Prevenção de complicações como tema central. O artigo Indications for Preservation Rhinoplasty: Avoiding Complications, de 2021, trata justamente de reconhecer quais narizes têm maior chance de recidiva de giba ou de irregularidade depois da preservação.
A lista completa das publicações está em publicações científicas.
Push down, let down e as variações usadas no Brasil
As duas manobras ósseas mais conhecidas diferem na quantidade de osso removida na base da pirâmide nasal.
| Manobra | O que é feito | Perfil típico de indicação |
|---|---|---|
| Push down | O bloco ósseo desce para dentro da abertura piriforme, sem retirada de faixa óssea lateral | Gibas menores, ossos mais estreitos |
| Let down | Uma faixa de osso é retirada na base lateral e o bloco desce apoiado | Gibas maiores, bases ósseas mais largas |
| Preservação apenas cartilaginosa | O ajuste é feito na porção cartilaginosa do dorso | Gibas predominantemente cartilaginosas |
| Técnicas híbridas | Preservação do dorso combinada com retoques pontuais ou enxertos | Dorsos irregulares, pele fina, assimetrias |
A escolha entre elas não é uma questão de preferência pessoal. Depende da altura da giba, da largura e da espessura dos ossos, do formato do septo e da pele. Em Maringá, o Dr. Sella usa instrumentos piezoelétricos na maior parte desses casos, porque o corte ultrassônico permite trabalhar o osso com desenho mais previsível. Esse ponto está detalhado em rinoplastia ultrassônica.
Preservação não serve para todo nariz
Este é o recado mais importante do artigo. Preservação de dorso é uma ferramenta, não uma bandeira.
Situações que pedem cautela ou outra estratégia incluem dorsos com formato em S acentuado, desvios septais complexos, dorsos muito largos no terço médio, sequelas de cirurgias anteriores e narizes já operados com remoção de cartilagem. Nesses casos, a rinoplastia secundária costuma exigir reconstrução, e o dorso original pode já não existir como bloco íntegro.
Um cirurgião que só faz preservação acaba forçando a indicação. Um cirurgião que nunca faz perde uma opção útil. O ideal é dominar as duas lógicas e escolher caso a caso.
Preservação e função nasal andam juntas
O dorso nasal não é só estética. Ele faz parte da válvula nasal interna, a região mais estreita da passagem de ar.
Quando o dorso é aberto e reconstruído, essa área precisa ser refeita. Quando é preservado, a anatomia da válvula tende a ser menos perturbada, embora a descida do bloco também mude relações internas e exija atenção ao septo e aos cornetos.
Por isso, boa parte dos cirurgiões da escola brasileira de preservação vem da otorrinolaringologia. Avaliar respiração, septo, cornetos e seios da face faz parte da mesma consulta que avalia o perfil. Veja rinoplastia funcional para entender como as duas partes se integram.
Como escolher um cirurgião que domine a técnica no Brasil
Não existe cadastro oficial de cirurgiões que fazem preservação. O que existe são sinais verificáveis. Antes de decidir, confira:
- Registro e título. CRM ativo e RQE em otorrinolaringologia ou em cirurgia plástica. É possível conferir no site do Conselho Federal de Medicina.
- Formação específica em rinoplastia. Fellowship, cursos com dissecção em cadáver, observação de cirurgias com grupos consolidados.
- Produção científica. Artigos indexados no PubMed ou capítulos de livro mostram envolvimento real com o tema, e não apenas uso de um termo da moda.
- Atividade de ensino. Quem ensina a técnica em cursos e congressos costuma ter volume e método.
- Clareza sobre limites. Desconfie de quem promete que a preservação resolve qualquer nariz ou que dispensa enxertos sempre.
- Avaliação funcional. O exame interno do nariz deve fazer parte da consulta, com ou sem queixa respiratória.
O Dr. Sella é otorrinolaringologista com CRM-PR 33.018 e RQE 17.984, doutorado concluído no HCFMRP-USP em 2018, fellowship em rinoplastia estruturada na Austrália e coautoria nos três artigos sobre preservação citados acima. Ele também coordena cursos e mentorias para médicos no Sella Learning Center, em Maringá.
Quando procurar o Dr. Sella
Se você tem uma giba no perfil, quer entender se o seu nariz permite preservação de dorso e prefere uma avaliação que olhe também a respiração, a consulta é o passo inicial. Ela dura cerca de uma hora e inclui exame interno do nariz, fotografias padronizadas, simulação digital e, quando indicado, ultrassom nasal.
Pacientes de outros estados costumam começar por teleconsulta e depois organizar a viagem. O funcionamento está descrito em pacientes de outras cidades. A indicação da técnica, os riscos e o plano cirúrgico são sempre individuais e definidos depois da avaliação presencial.
Perguntas frequentes
A rinoplastia de preservação é melhor que a técnica tradicional?
São abordagens diferentes, com indicações diferentes. A preservação costuma dar linhas de dorso muito naturais em casos selecionados, enquanto narizes já operados ou com deformidades complexas geralmente exigem reconstrução com enxertos. A escolha é feita caso a caso na consulta.
O que é a escola brasileira de preservação de dorso?
É o conjunto de indicações e variações técnicas sistematizado por cirurgiões brasileiros e publicado internacionalmente, incluindo o capítulo Brazilian Approach to Dorsum Preservation, de 2023, com coautoria do Dr. Guilherme Sella.
A giba pode voltar depois de uma rinoplastia de preservação?
A recidiva de giba é uma das complicações descritas na literatura de preservação e está ligada principalmente a erros de indicação e de manobra na base. Selecionar bem o caso e tratar adequadamente o septo reduz esse risco.
Preservação de dorso dispensa enxertos?
Não necessariamente. O dorso pode ser preservado e a ponta ainda precisar de suporte com enxertos de septo, orelha ou costela. Preservação e estrutura são frequentemente combinadas na mesma cirurgia.
Como saber se um cirurgião realmente domina a preservação?
Confira CRM e RQE, formação específica em rinoplastia, publicações indexadas, atividade de ensino e, sobretudo, clareza sobre os limites da técnica. Promessas de que a preservação serve para qualquer nariz são um sinal de alerta.
Quem mora longe de Maringá consegue fazer o acompanhamento?
Sim. É comum começar por teleconsulta, fazer os exames na cidade de origem, chegar um a dois dias antes da cirurgia e permanecer cerca de sete dias até a retirada do curativo. Os retornos podem ser presenciais ou online.
Tire suas dúvidas em uma consulta com o Dr. Guilherme Sella
Presencial em Maringá ou por teleconsulta. A avaliação inclui exame físico, fotografias e simulação.

