Bioplastia no nariz: por que o PMMA não deveria estar ali.
O PMMA é permanente, não tem antídoto e vive sob a pele mais delicada do rosto. Veja o que a literatura mostra sobre complicações, como o ultrassom mapeia o material e quais são as opções cirúrgicas.
A bioplastia nasal usa PMMA, um polímero permanente injetado sob a pele do nariz. O Dr. Guilherme Sella não indica esse material no nariz. O PMMA não é absorvido pelo organismo, pode migrar, endurecer, formar granulomas e inflamações tardias, além de comprimir a pele fina da região. Quando surge uma complicação, não existe substância que dissolva o produto: a retirada é cirúrgica e quase sempre parcial. Se você já fez, o caminho é mapear o material com ultrassom de alta frequência e planejar remoção e reconstrução em uma rinoplastia secundária, em geral com enxertos de cartilagem.

O que é bioplastia no nariz
Bioplastia é o nome comercial dado à injeção de polimetilmetacrilato, o PMMA, sob a pele para dar volume ou projeção. No nariz, costuma ser vendida como rinomodelação definitiva, nariz sem cirurgia ou harmonização permanente. O produto é uma suspensão de microesferas de acrílico em um gel veículo. O gel é absorvido em algumas semanas. As microesferas ficam para sempre, envoltas por tecido fibroso que o próprio corpo produz.
Esse é o ponto central. O resultado não se mantém porque o material é estável. Ele se mantém porque o organismo cria uma cicatriz permanente em volta de um corpo estranho. Essa cicatriz é imprevisível e pode mudar de comportamento anos depois da aplicação.
Por que o PMMA não é indicado no nariz
O nariz é um dos piores lugares possíveis para um implante injetável permanente. Três motivos explicam isso.
- A pele é fina e pouco elástica, principalmente no dorso e na região entre os olhos. Qualquer irregularidade do material aparece na superfície.
- A vascularização é terminal e delicada. A injeção em um vaso ou a compressão de um vaso pode causar sofrimento de pele, necrose e, em casos raros descritos na literatura, embolia com perda visual.
- O nariz é um órgão funcional, com cartilagens que precisam ser remodeladas quando o paciente decide operar depois. O PMMA invade justamente os planos cirúrgicos usados na rinoplastia.
O Dr. Sella trabalha com rinomodelação com ácido hialurônico apenas em indicações limitadas e guiadas por imagem, porque esse material é reversível. Não utiliza PMMA, silicone líquido nem fios de PDO no nariz.
Quais são os riscos reais da bioplastia nasal
Os problemas podem aparecer logo ou muitos anos depois. Os mais relatados na literatura e na prática clínica de revisão são:
- Granulomas de corpo estranho, nódulos endurecidos e inflamatórios que crescem meses ou anos após a aplicação.
- Infecções tardias e biofilme, difíceis de tratar com antibiótico isolado porque a bactéria se organiza sobre o material.
- Migração do produto para o dorso, para a ponta ou para a região da glabela, com assimetria progressiva.
- Endurecimento e perda de mobilidade da ponta nasal.
- Afinamento, brilho e alteração de cor da pele sobre o depósito.
- Necrose cutânea nos casos de comprometimento vascular agudo.
- Deformidade permanente que não volta ao nariz original mesmo após a retirada.
Vale dizer com clareza: nem todo paciente que fez bioplastia terá complicação. Muita gente convive anos sem sintomas. O problema é que não existe forma de prever quem vai reagir mal, e não existe plano de saída fácil quando reage.
Comparativo entre as opções
| Critério | PMMA / bioplastia | Ácido hialurônico | Rinoplastia cirúrgica |
|---|---|---|---|
| Permanência | Permanente | 12 a 18 meses em média | Permanente |
| Reversível | Não | Sim, com hialuronidase | Ajustes por nova cirurgia |
| Reduz o nariz | Não, só adiciona volume | Não, só adiciona volume | Sim |
| Corrige respiração | Não | Não | Sim, com rinoplastia funcional |
| Risco de granuloma tardio | Relevante | Baixo | Não se aplica |
| Dificulta cirurgia futura | Sim, de forma importante | Pouco | Não |
Já fiz bioplastia no nariz. E agora?
Se você fez e está sem sintomas, o primeiro passo não é correr para a sala de cirurgia. É avaliar e documentar. Muitos pacientes não sabem o que foi injetado, quanto foi injetado nem em qual plano. Relatório do procedimento, fotos antigas e a data de cada sessão ajudam bastante.
Se há sinais de inflamação, endurecimento progressivo, dor, vermelhidão que não passa ou alteração da pele, a avaliação precisa ser precoce. Episódios inflamatórios podem ser controlados clinicamente, mas tendem a recidivar enquanto o material permanecer.
O papel do ultrassom de alta frequência
O ultrassom dermatológico mudou a forma de abordar esses casos. O exame é feito na própria clínica em Maringá e permite ver, em tempo real:
- a profundidade do material, se está acima ou abaixo do músculo;
- a extensão dos depósitos e se houve migração;
- o padrão de imagem que diferencia preenchedores absorvíveis de permanentes;
- a espessura da pele acima do produto;
- a vascularização da columela e do dorso, informação importante para planejar o descolamento.
Sem esse mapa, a remoção vira exploração às cegas. Com ele, o cirurgião decide onde vale a pena entrar, onde o risco de dano à pele supera o benefício e o que será necessário em termos de enxerto.
Como é a remoção do PMMA e a rinoplastia depois
A primeira informação honesta: não existe remoção completa de PMMA. O material está disperso em microesferas dentro do tecido cicatricial. O que se faz é a ressecção dos blocos maiores, dos granulomas e do tecido fibrótico mais comprometido, preservando a pele ao máximo.
A abordagem costuma ser por via aberta, pela incisão na columela, que dá visão direta do dorso e da ponta. Depois da retirada, quase sempre falta estrutura e sobra cicatriz. É aí que entra a rinoplastia estruturada, com enxertos de septo, de cartilagem de orelha ou de costela quando o septo já foi usado ou é insuficiente.
Em parte dos casos, o plano é feito em etapas. Primeiro a remoção e a estabilização do tecido. Meses depois, a reconstrução estética. Essa decisão depende da qualidade da pele e do grau de inflamação, e é tomada caso a caso. São cirurgias conduzidas dentro da lógica da rinoplastia secundária, com tempo cirúrgico maior e recuperação mais lenta que uma rinoplastia primária.
Expectativa realista importa aqui. O objetivo é melhorar contorno, função e saúde da pele. Não é devolver o nariz que existia antes da injeção. A quantidade de melhora possível só pode ser estimada após exame e imagem.
O que esperar da recuperação
O pós-operatório segue os mesmos cuidados de uma rinoplastia, com placa externa por cerca de sete dias, esparadrapagem na semana seguinte e retorno gradual às atividades. O edema costuma demorar mais a resolver em pele que já sofreu inflamação crônica, e o resultado definitivo pode levar de doze a dezoito meses.
Pacientes de outras cidades conseguem organizar o tratamento com teleconsulta inicial, exames na cidade de origem e cerca de sete dias em Maringá. Os detalhes estão em pacientes de outras cidades.
Quando procurar o Dr. Sella
Procure avaliação se você fez bioplastia no nariz e percebe endurecimento, nódulos, vermelhidão persistente, alteração do formato ao longo do tempo ou piora da respiração. Também vale avaliar se você está apenas insatisfeito com o contorno e pensa em cirurgia no futuro, porque conhecer o que existe sob a pele muda todo o planejamento. A consulta dura cerca de uma hora e inclui exame interno do nariz, fotografias padronizadas e ultrassom quando indicado. A conduta é definida individualmente, com riscos e alternativas explicados antes de qualquer decisão.
Perguntas frequentes
Bioplastia no nariz é reversível?
Não. O PMMA é um material permanente e não existe substância que o dissolva, diferente do ácido hialurônico, que pode ser desfeito com hialuronidase. A retirada é cirúrgica e sempre parcial, porque as microesferas ficam dispersas no tecido fibroso.
Posso fazer rinoplastia depois de ter feito bioplastia?
Sim, na maioria dos casos é possível. A cirurgia costuma ser mais complexa, feita nos moldes de uma rinoplastia secundária, com remoção do material acessível e reconstrução com enxertos de cartilagem. O planejamento depende da avaliação da pele e do mapeamento por ultrassom.
Quanto tempo depois da bioplastia podem aparecer complicações?
Não há prazo fixo. Granulomas e infecções tardias são descritos de meses até muitos anos após a aplicação, às vezes desencadeados por infecções, traumas ou outros procedimentos na face.
O ultrassom consegue mostrar o PMMA no nariz?
Sim. O ultrassom de alta frequência identifica o padrão de imagem dos preenchedores permanentes, a profundidade e a extensão dos depósitos, além da espessura da pele acima deles. Essa informação orienta diretamente o planejamento cirúrgico.
Existe tratamento sem cirurgia para granuloma por PMMA?
Episódios inflamatórios podem ser controlados com medicação, incluindo antibióticos e corticoide infiltrado, conforme avaliação médica. O controle costuma ser temporário enquanto o material permanecer no local, e a indicação é sempre individual.
O ácido hialurônico no nariz tem os mesmos riscos?
Não. O ácido hialurônico é absorvível e reversível, o que torna o manejo de intercorrências muito mais seguro. Ainda assim, exige indicação criteriosa e técnica adequada, porque o risco vascular do nariz existe com qualquer injetável.
Tire suas dúvidas em uma consulta com o Dr. Guilherme Sella
Presencial em Maringá ou por teleconsulta. A avaliação inclui exame físico, fotografias e simulação.

