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Fios de PDO no nariz: o que a evidência mostra.

Os fios de PDO migraram do rosto para o nariz como promessa de ponta elevada sem cirurgia. A anatomia nasal, porém, é diferente, e as complicações relatadas pesam mais do que o pequeno efeito obtido.

Publicado em 4 de setembro de 2026Atualizado em 7 de outubro de 2026Revisado por Dr. Guilherme Sella6 min de leitura

Os fios de PDO no nariz são um procedimento de efeito pequeno, temporário e com risco desproporcional. O dorso e a ponta nasal são sustentados por cartilagem, não por tecido mole deslizante como a face, de modo que a tração do fio tende a ceder em poucos meses. A literatura disponível é formada sobretudo por séries pequenas, com relatos de extrusão, infecção, fibrose, assimetria, irregularidade visível e lesão vascular. Por isso, o Dr. Guilherme Sella não indica fios de PDO nasais e avalia, em consulta, se o caso pede rinoplastia, correção funcional ou apenas acompanhamento.

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Dr. Guilherme Sella na clínica em Maringá · Fios de PDO no nariz: o que a evidência mostra
Dr. Guilherme Sella na clínica em Maringá

O que são os fios de PDO e o que prometem no nariz

PDO significa polidioxanona, um material absorvível usado há décadas como fio de sutura cirúrgica. Nos últimos anos, fios de PDO com farpas ou cones passaram a ser usados para tracionar tecido mole da face e do pescoço.

A transposição desse conceito para o nariz costuma vir com três promessas: elevar a ponta nasal, afinar o dorso e disfarçar uma giba. O procedimento é feito em consultório, com anestesia local, em poucos minutos.

A proposta é atraente para quem teme cirurgia. O problema é que a estrutura que define a forma do nariz não responde bem a esse tipo de tração.

Por que o nariz não se comporta como a pele do rosto

Na face, os fios atuam sobre gordura e tecido subcutâneo que realmente deslizam sobre planos profundos. No nariz, a situação é outra.

  • A forma do dorso depende de osso nasal e cartilagem septal, estruturas rígidas.
  • A rotação e a projeção da ponta dependem das cartilagens alares, do septo caudal e dos ligamentos de sustentação.
  • A pele nasal é aderida e fina em algumas áreas, espessa e sebácea em outras, com pouco espaço para acomodar material sem ficar visível.
  • O suprimento sanguíneo da ponta e da columela vem de vasos finos e previsíveis, o que torna a região sensível a compressão e a injeções profundas.

Um fio colocado sob a pele não muda o esqueleto. Ele apenas tenta puxar um envelope cutâneo que está preso a uma estrutura que não se moveu. O resultado costuma ser discreto e passageiro.

O que a evidência realmente mostra

A literatura sobre fios de PDO nasais é limitada. Predominam relatos de caso e séries pequenas, com seguimento curto, critérios de avaliação variáveis e poucos estudos comparativos de boa qualidade. Não existe, até hoje, um corpo de evidência robusto que sustente o uso rotineiro desses fios no nariz.

Quando o seguimento é mais longo, dois achados se repetem: o efeito estético tende a reduzir com a reabsorção do material, e parte dos pacientes acaba buscando procedimento adicional. O ganho de rotação relatado costuma ser pequeno e difícil de reproduzir.

Isso contrasta com a rinoplastia, que tem literatura ampla, técnicas descritas e reprodutíveis e resultados documentados em longo prazo. O Dr. Sella publicou com coautores em revistas indexadas no PubMed sobre indicações e segurança em rinoplastia de preservação, tema que pode ser conferido na página de publicações.

Complicações descritas com fios no nariz

As complicações relatadas incluem:

  • Extrusão do fio, com a ponta aparecendo pela pele ou pela mucosa.
  • Infecção local, às vezes exigindo retirada do material e antibiótico.
  • Fibrose e endurecimento em placas, que alteram a textura e dificultam cirurgias futuras.
  • Irregularidade visível, com o trajeto do fio perceptível sob a pele fina do dorso.
  • Assimetria por tração desigual entre os lados.
  • Granuloma e reação inflamatória persistente.
  • Complicação vascular, rara e grave, por compressão ou lesão de vasos da ponta e da columela, com risco de necrose cutânea.
  • Dor e desconforto à palpação por semanas.

Há ainda um efeito menos comentado: a fibrose deixada pelos fios altera os planos de dissecção. Quem opera uma rinoplastia secundária em nariz previamente manipulado sabe que o tecido cicatricial torna a cirurgia mais longa, menos previsível e, em alguns casos, dependente de enxertos.

Fios, ácido hialurônico e rinoplastia: comparação honesta

CritérioFios de PDOÁcido hialurônico guiado por ultrassomRinoplastia
O que modificaTração de tecido moleVolume de preenchimento em pontos selecionadosOsso, cartilagem e tecido mole
Reduz o narizNãoNão, pode camuflar irregularidadeSim
Melhora a respiraçãoNãoNãoSim, quando associada à parte funcional
DuraçãoMeses, com perda progressivaMeses a cerca de um anoDefinitiva, com maturação de 6 a 12 meses
ReversibilidadeDifícil após fibroseParcial, com hialuronidaseNão se aplica
Evidência científicaEscassa, séries pequenasModerada, indicações restritasAmpla e consolidada
Risco vascularPresentePresente, menor com técnica e ultrassomPresente, controlado em ambiente cirúrgico

O Dr. Sella usa ácido hialurônico no nariz apenas em indicações limitadas, sempre guiado por ultrassom dermatológico, como camuflagem de pequenas irregularidades ou em quem não pode operar naquele momento. Ele também não recomenda os chamados preenchedores definitivos, como PMMA e silicone líquido, pelo risco de reação tardia e de deformidade de correção difícil.

Material permanente ou de reabsorção imprevisível dentro de um nariz com pele fina costuma transformar um problema estético simples em um problema cirúrgico complexo.

Já coloquei fios no nariz. E agora?

Se você colocou fios e está sem sintomas, a conduta inicial costuma ser observação. Muitos fios se absorvem sem repercussão.

Procure avaliação se houver dor persistente, vermelhidão, calor, secreção, fio aparente, nódulo endurecido que cresce ou mudança de cor da pele. Sinal de palidez ou dor intensa logo após o procedimento exige atendimento imediato.

Na consulta, o ultrassom de alta frequência ajuda a localizar material residual, medir a espessura da pele e mapear a fibrose antes de qualquer planejamento cirúrgico. Esse exame é feito na própria clínica em Maringá.

O ideal é aguardar a inflamação se resolver antes de programar uma rinoplastia. O tempo de espera é individual e definido caso a caso.

Alternativas com respaldo científico

Quem procura fios geralmente quer uma de três coisas: ponta caída, dorso irregular ou nariz que parece grande. Cada queixa tem caminho próprio.

  1. Ponta caída dinâmica, que piora ao sorrir, costuma depender do músculo depressor e da sustentação cartilaginosa. A correção é cirúrgica.
  2. Giba e dorso irregular podem ser tratados por técnicas de preservação ou por abordagem com instrumento piezoelétrico, como na rinoplastia ultrassônica.
  3. Falta de estrutura, comum em narizes operados ou com cartilagem fraca, pede enxertos, como na rinoplastia estruturada.
  4. Obstrução nasal associada precisa de avaliação otorrinolaringológica, com septo, cornetos e válvulas, tema da rinoplastia funcional.

Nem toda queixa precisa de cirurgia. Em parte dos casos, a conduta é explicar o que o nariz tem, o que pode mudar e o que não muda, e seguir sem intervenção.

Quando procurar o Dr. Sella

Procure uma avaliação se você pensa em fios no nariz, já colocou fios e tem dúvida sobre o que fazer, ou quer entender se a sua queixa é estética, funcional ou ambas.

A consulta dura cerca de uma hora e inclui exame interno do nariz, fotografias padronizadas, simulação digital e ultrassom nasal quando indicado. Para quem vem de outras cidades, há possibilidade de teleconsulta inicial, com orientação sobre exames e logística na página de pacientes de outras cidades.

A indicação, os riscos e o plano são sempre individuais e definidos na consulta.

Dr. Guilherme Sella
Revisado por Dr. Guilherme Sella

Otorrinolaringologista e cirurgião facial · CRM-PR 33.018 · RQE 17.984. Doutor pela FMRP-USP, fundador do Sella Learning Center. Atualizado em 2026-10-07.

Perguntas frequentes

Fios de PDO levantam mesmo a ponta do nariz?

O efeito relatado é pequeno e temporário, porque a ponta nasal é sustentada por cartilagem e ligamentos, e não por tecido mole deslizante. Com a absorção do material, a tração tende a se perder.

Quanto tempo duram os fios no nariz?

A polidioxanona costuma se reabsorver em alguns meses. O efeito estético, quando existe, diminui progressivamente nesse período, e parte dos pacientes procura outro procedimento depois.

Fios de PDO no nariz são perigosos?

Há relatos de extrusão, infecção, fibrose, assimetria, granuloma e, de forma rara, complicação vascular com risco de necrose da pele. Por esse motivo o Dr. Sella não indica fios nasais.

Coloquei fios e quero fazer rinoplastia. Posso?

Na maioria dos casos sim, desde que a inflamação esteja resolvida e o material tenha se reabsorvido. A fibrose deixada pelos fios pode tornar a dissecção mais difícil, e o ultrassom ajuda no planejamento.

Fios melhoram a respiração nasal?

Não. Fios atuam no tecido mole externo e não corrigem desvio de septo, hipertrofia de cornetos ou colapso de válvula nasal, que são causas comuns de obstrução.

Qual a alternativa não cirúrgica com mais respaldo?

Em indicações limitadas, o ácido hialurônico guiado por ultrassom pode camuflar pequenas irregularidades. Ele não reduz o nariz nem substitui a rinoplastia, e a indicação é definida em consulta.

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Presencial em Maringá ou por teleconsulta. A avaliação inclui exame físico, fotografias e simulação.

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