Lacrimejamento constante: quando operar a via lacrimal.
O olho que lacrimeja o tempo todo quase sempre tem uma causa mecânica: a lágrima é produzida normalmente e não consegue escoar para o nariz. A cirurgia endoscópica reabre esse caminho por dentro.
Quando o lacrimejamento é constante e exames mostram obstrução do ducto nasolacrimal, o tratamento definitivo é cirúrgico. A técnica mais usada hoje é a dacriocistorrinostomia endoscópica (DCR), feita inteiramente por dentro do nariz, sem corte na pele e sem cicatriz externa, criando uma nova comunicação entre o saco lacrimal e a cavidade nasal. A literatura descreve taxas de sucesso em torno de 85% a 95%, variando com a causa e com cirurgias prévias. O Dr. Guilherme Sella, otorrinolaringologista em Maringá, realiza a DCR endoscópica e avalia, na mesma consulta, alterações nasais que contribuem para a obstrução.

Por que um olho lacrimeja o tempo todo
A lágrima não serve só para chorar. Ela é produzida continuamente pela glândula lacrimal, espalhada pelo piscar e drenada por um sistema de canais que termina dentro do nariz. É por isso que você assoa o nariz quando chora.
Quando esse caminho entope, a lágrima transborda pela pálpebra. O resultado é o lacrimejamento constante, chamado de epífora. Ele costuma piorar no frio, no vento, no ar-condicionado e durante a leitura ou o uso de telas.
Existem duas grandes explicações para um olho que lacrimeja:
- Produção aumentada de lágrima, por irritação ocular, olho seco reflexo, alergia, blefarite ou cílio mal posicionado.
- Falha de drenagem, por obstrução em algum ponto da via lacrimal ou por falha da bomba lacrimal da pálpebra.
Essa distinção muda tudo. Lacrimejamento por irritação melhora com tratamento clínico. Lacrimejamento por obstrução anatômica não responde a colírio e tem indicação cirúrgica.
O caminho da lágrima, passo a passo
Entender o trajeto ajuda a entender a cirurgia.
- A lágrima banha a superfície do olho.
- Entra por dois orifícios minúsculos na borda das pálpebras, os pontos lacrimais.
- Segue por canalículos finos até o saco lacrimal, que fica no canto interno do olho, junto ao osso.
- Desce pelo ducto nasolacrimal, dentro do osso, por cerca de 1,5 centímetro.
- Desemboca dentro do nariz, embaixo do corneto inferior.
A obstrução mais comum em adultos acontece na parte baixa desse trajeto, no ducto nasolacrimal. A lágrima acumula no saco lacrimal e volta para o olho.
Sinais de que a causa é obstrutiva
Alguns achados sugerem bloqueio da drenagem:
- Lacrimejamento em um olho só, constante, há meses ou anos.
- Secreção amarelada repetida no canto interno do olho.
- Conjuntivites de repetição no mesmo lado.
- Abaulamento ou dor no canto interno do olho, sinal de dacriocistite, que é a infecção do saco lacrimal.
- Saída de secreção quando se pressiona o canto interno.
- Histórico de trauma nasal, fratura de face, cirurgia nasal prévia, rinossinusite crônica ou radioterapia.
- Uso de alguns medicamentos sistêmicos e sequelas de quimioterapia.
O diagnóstico é confirmado em consulta com exame oftalmológico, teste de irrigação da via lacrimal e endoscopia nasal, que mostra o estado da parede lateral do nariz, do septo e dos cornetos. Em casos selecionados, pede-se tomografia ou dacriocistografia, sobretudo após trauma ou cirurgias anteriores.
O que é a dacriocistorrinostomia endoscópica
A dacriocistorrinostomia, abreviada como DCR, cria um novo caminho para a lágrima. Em vez de tentar desentupir o ducto obstruído, o cirurgião abre uma comunicação direta entre o saco lacrimal e a cavidade nasal, acima do ponto do bloqueio.
Na versão endoscópica, todo o procedimento é feito por dentro do nariz, com endoscópio e instrumentos finos. Não há incisão na pele e não existe cicatriz externa.
As etapas são, em resumo:
- Identificação da projeção do saco lacrimal na parede lateral do nariz.
- Remoção de uma pequena janela de mucosa e de osso sobre o saco.
- Abertura do saco lacrimal e sutura ou aposição das bordas de mucosa.
- Confirmação da passagem com irrigação pelo ponto lacrimal.
- Em casos selecionados, passagem de um tubo fino de silicone, que permanece algumas semanas para manter a via aberta.
Quando existe desvio de septo, hipertrofia de cornetos ou sinusite associada, esses problemas podem ser tratados no mesmo tempo cirúrgico. Essa é uma vantagem prática de a cirurgia ser conduzida por um otorrinolaringologista habituado à cirurgia endoscópica nasal e também à cirurgia funcional do nariz.
DCR endoscópica e DCR externa: o que muda
| Aspecto | DCR endoscópica | DCR externa |
|---|---|---|
| Acesso | Por dentro do nariz | Incisão na pele do canto interno do olho |
| Cicatriz visível | Não há | Pequena cicatriz cutânea |
| Bomba lacrimal da pálpebra | Preservada | Pode ser afetada pela dissecção |
| Sangramento e hematoma | Em geral menores | Em geral maiores |
| Tratamento de alterações nasais no mesmo ato | Sim | Não |
| Reabordagem em caso de reobstrução | Feita pelo mesmo acesso | Mais trabalhosa |
| Taxas de sucesso em mãos experientes | Comparáveis às da via externa | Historicamente alta |
As duas técnicas resolvem o mesmo problema. A escolha depende da causa da obstrução, de cirurgias anteriores, de tumores, de traumas com desabamento ósseo e da anatomia nasal de cada pessoa. Essa definição é individual e feita em consulta.
Como é a cirurgia e a recuperação
A DCR endoscópica costuma ser feita sob anestesia geral e dura, em média, de 40 a 90 minutos por lado. Em Maringá, o Dr. Sella opera no Saine Health Complex, hospital com estrutura completa de centro cirúrgico e UTI. A alta normalmente ocorre no mesmo dia ou após uma noite de observação.
O que esperar nos primeiros dias:
- Sangramento leve pelo nariz por 24 a 72 horas.
- Secreção com raias de sangue pelo olho ao assoar, o que é esperado.
- Dor leve, controlada com analgésicos comuns.
- Lavagem nasal com soro fisiológico várias vezes ao dia.
- Colírio e spray nasal conforme prescrição.
- Orientação de não assoar o nariz nos primeiros dias.
- Afastamento do trabalho em geral curto, de poucos dias.
O acompanhamento inclui limpezas endoscópicas no consultório, que removem crostas e ajudam a manter a nova abertura. Quando o tubo de silicone é usado, ele é retirado no consultório, em procedimento rápido, após algumas semanas.
O alívio do lacrimejamento costuma ser percebido cedo, às vezes já na primeira semana. A avaliação final da função é feita ao longo dos meses seguintes, porque a cicatrização da mucosa continua nesse período.
Resultados, riscos e possibilidade de reobstrução
A literatura de cirurgia endoscópica da via lacrimal descreve resolução do lacrimejamento em torno de 85% a 95% dos casos primários. Os números caem em situações mais difíceis, como traumas com perda óssea, radioterapia prévia, doenças inflamatórias sistêmicas e reoperações.
Nenhuma cirurgia está livre de riscos. Os principais são sangramento, infecção, sinéquias dentro do nariz, fechamento da nova abertura por tecido cicatricial e necessidade de revisão. Complicações graves são raras. O cirurgião deve explicar cada um desses pontos antes da decisão, e não existe promessa de resultado em medicina.
Um detalhe importante: se parte do lacrimejamento vem de olho seco, alergia ou frouxidão da pálpebra inferior, a cirurgia resolve a parte obstrutiva e o restante precisa de tratamento específico. Por isso a avaliação conjunta com o oftalmologista é valiosa.
Crianças e casos especiais
Em bebês, a obstrução congênita do ducto nasolacrimal é comum e muitas vezes se resolve sozinha no primeiro ano, com massagem e higiene. Quando persiste, o tratamento inicial é a sondagem. A DCR fica reservada para casos que falham ou para anatomias desfavoráveis.
Na dacriocistite aguda, com dor e abaulamento no canto do olho, o tratamento começa com antibiótico e drenagem quando necessário. A cirurgia definitiva é programada depois que a infecção esfria.
Quem vem de outra cidade
Parte dos pacientes atendidos em Maringá vem de outras regiões do Paraná, do interior de São Paulo e do Mato Grosso do Sul. O fluxo costuma começar por teleconsulta, com exames feitos na cidade de origem, avaliação presencial antes da cirurgia e permanência de alguns dias para a primeira limpeza endoscópica. A equipe organiza esse roteiro e orienta sobre hospedagem, como explicado na página para pacientes de outras cidades.
Quando procurar o Dr. Sella
Vale marcar avaliação se o lacrimejamento é diário, se atrapalha dirigir ou ler, se há secreção repetida no canto do olho ou se já houve episódio de inchaço doloroso nessa região. A consulta inclui exame endoscópico do nariz e discussão das opções, cirúrgicas e não cirúrgicas. Conheça a formação do Dr. Guilherme Sella e fale com a equipe pelo contato. A indicação, os riscos e o plano são sempre individuais e definidos presencialmente.
Perguntas frequentes
Colírio resolve lacrimejamento excessivo?
Colírio ajuda quando o lacrimejamento vem de irritação, alergia ou olho seco reflexo. Quando a causa é obstrução do ducto nasolacrimal, nenhum colírio reabre o canal e o tratamento definitivo é cirúrgico.
A dacriocistorrinostomia endoscópica deixa cicatriz no rosto?
Não. Todo o procedimento é feito por dentro do nariz, com endoscópio, sem incisão na pele do canto do olho.
Qual a taxa de sucesso da cirurgia da via lacrimal?
A literatura descreve resolução do lacrimejamento em cerca de 85% a 95% dos casos primários. O número varia conforme a causa da obstrução, trauma prévio, radioterapia e cirurgias anteriores.
Quanto tempo dura a recuperação?
A maioria das pessoas retoma atividades leves em poucos dias. Há sangramento leve por 24 a 72 horas, lavagem nasal com soro e limpezas endoscópicas no consultório nas semanas seguintes.
Preciso usar tubo de silicone?
Nem sempre. O tubo fino de silicone é usado em casos selecionados, como obstruções altas ou reoperações, e costuma ser retirado no consultório após algumas semanas.
A cirurgia pode ser feita junto com septoplastia?
Sim. Quando há desvio de septo ou alteração de cornetos que dificulta o acesso ou contribui para o problema, esses tratamentos podem ser realizados no mesmo tempo cirúrgico, conforme avaliação individual.
Tire suas dúvidas em uma consulta com o Dr. Guilherme Sella
Presencial em Maringá ou por teleconsulta. A avaliação inclui exame físico, fotografias e simulação.

