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Desvio de septo: quando a cirurgia é realmente necessária.

Nem todo desvio de septo precisa de cirurgia. O que define a indicação é a combinação de sintomas persistentes, exame endoscópico do nariz e resposta ao tratamento clínico bem conduzido.

Publicado em 28 de agosto de 2026Atualizado em 7 de outubro de 2026Revisado por Dr. Guilherme Sella8 min de leitura

O desvio de septo só tem indicação cirúrgica quando causa sintomas persistentes, como obstrução nasal de um lado ou dos dois, sinusites de repetição, ronco, boca seca ao acordar e dor de cabeça relacionada a contato de estruturas internas. O diagnóstico combina exame físico, endoscopia nasal e, em casos selecionados, tomografia computadorizada. Antes de operar, trata-se rinite e inflamação com lavagem salina e corticoide tópico. Se a obstrução continuar, a septoplastia corrige o septo e, quando necessário, as cornetos e as válvulas nasais. O Dr. Guilherme Sella, otorrinolaringologista com doutorado pela USP de Ribeirão Preto, avalia função e estrutura nasal na mesma consulta.

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Dr. Guilherme Sella no consultório · Desvio de septo: sintomas, diagnóstico e quando operar
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O que é o desvio de septo

O septo nasal é a parede que divide o nariz em duas fossas. Ele é formado por cartilagem na frente e osso atrás, revestido por mucosa dos dois lados. Quando essa parede não fica centrada, você tem um desvio de septo.

Desvios são extremamente comuns. A maioria das pessoas tem algum grau de assimetria septal e nunca percebe. O crescimento facial não é perfeitamente simétrico, e traumas na infância, mesmo esquecidos, deslocam cartilagem.

Isso leva à regra mais importante do tema: o desvio em si não é doença. O que importa é se ele reduz a passagem de ar o suficiente para gerar sintomas no seu dia a dia.

Sintomas que sugerem desvio de septo com repercussão

Os sintomas aparecem quando o fluxo de ar encontra resistência real. Os mais frequentes:

  • Sensação de nariz entupido, de um lado só ou alternando de lado
  • Respiração pela boca, especialmente dormindo
  • Boca e garganta secas ao acordar, com sede noturna
  • Ronco e sono fragmentado
  • Sinusites de repetição, com dor na face e secreção espessa
  • Redução do olfato nos períodos de obstrução
  • Sangramentos nasais, por ressecamento da mucosa sobre a área desviada
  • Dor de cabeça por contato entre o septo desviado e a parede lateral do nariz
  • Cansaço durante exercício físico, por limitação do fluxo aéreo nasal

Um detalhe que confunde muitos pacientes é o ciclo nasal. O nariz alterna naturalmente a congestão entre os lados ao longo do dia. Em quem tem desvio, o lado já estreito fica insuportável quando entra na fase congestionada. É por isso que a obstrução parece mudar de lugar.

O desvio é a única causa? Quase nunca

Na prática clínica, a obstrução nasal raramente tem uma causa única. O septo desviado costuma vir acompanhado de outros fatores:

FatorO que éComo se trata
Rinite alérgica ou não alérgicaInflamação crônica da mucosa, que incha os cornetosLavagem salina, corticoide nasal, controle ambiental
Hipertrofia de cornetosCornetos aumentados de forma permanenteTurbinoplastia, geralmente junto da septoplastia
Colapso de válvula nasalParedes laterais que afundam na inspiraçãoEnxertos de cartilagem durante a cirurgia
Rinossinusite crônica com póliposInflamação com formação de póliposTratamento clínico prolongado, por vezes sinusectomia endoscópica
Nariz com ponta caída ou columela largaEstreitamento da entrada do arCorreção estrutural, avaliada caso a caso

Esse é o motivo pelo qual operar apenas o septo, em alguns pacientes, melhora pouco. Se o corneto segue inchado ou a válvula colapsa, a sensação de nariz fechado persiste. A avaliação da rinoplastia funcional olha para todos esses pontos em conjunto.

Como é feito o diagnóstico

Anamnese e exame físico

A conversa inicial define muita coisa. Desde quando você sente obstrução, se é constante ou sazonal, se piora deitado, se houve trauma, se você usa descongestionante de farmácia, se tem alergia, se ronca, se alguém já observou pausas na respiração durante o sono.

No exame, o cirurgião observa o nariz por fora, avalia a sustentação da ponta, testa manualmente as válvulas nasais e examina o interior das fossas nasais.

Endoscopia nasal

A endoscopia é o exame central. Com uma óptica fina, é possível ver o septo em toda a sua extensão, incluindo a porção posterior, que não aparece no exame simples. Também se avaliam cornetos, pólipos, adenoide em crianças e adolescentes, saída dos seios da face e presença de secreção.

É um exame de consultório, feito em poucos minutos, com anestésico tópico. Ele diferencia um desvio que realmente obstrui de uma rinite que incha a mucosa.

Tomografia computadorizada

A tomografia não é obrigatória em todo desvio de septo. Ela é indicada quando há suspeita de doença dos seios da face, sinusites repetidas, pólipos, história de cirurgia prévia, trauma importante ou dúvida sobre a anatomia posterior. Ela mostra o septo ósseo, as células etmoidais, variações anatômicas e as drenagens dos seios.

Raio-X simples de seios da face tem pouco valor hoje e não substitui tomografia nem endoscopia.

Ultrassom e avaliação da estrutura

Quando existe também uma questão estética ou história de preenchedor e cirurgia anterior, o ultrassom dermatológico de alta frequência ajuda a mapear espessura de pele, enxertos prévios, material injetado e vascularização. É uma informação que muda planejamento em rinoplastias de revisão.

O exame interno do nariz faz parte da consulta mesmo quando o motivo da procura é estético. Função e forma dependem da mesma estrutura.

Tratamento clínico vem antes da cirurgia

Medicamento não endireita cartilagem. Ainda assim, o tratamento clínico é indispensável, por dois motivos: ele resolve a parte inflamatória da obstrução e mostra quanto da queixa é realmente mecânica.

O que costuma ser usado:

  1. Lavagem nasal com soro fisiológico em volume adequado, todos os dias
  2. Corticoide nasal tópico, com uso contínuo por algumas semanas e técnica correta de aplicação
  3. Anti-histamínico quando há alergia documentada
  4. Controle ambiental de poeira, mofo e pelo de animais
  5. Investigação de apneia do sono quando há ronco e sonolência diurna

Um ponto de alerta: descongestionante nasal vasoconstritor de venda livre, usado por semanas, causa rinite medicamentosa. O nariz entope cada vez mais e cria dependência do spray. Se você está nessa situação, a suspensão precisa ser conduzida antes de qualquer decisão cirúrgica.

Se depois de tratamento bem feito a obstrução continuar limitando sua respiração, a indicação cirúrgica passa a fazer sentido.

Quando operar: critérios práticos

A cirurgia tende a ser indicada quando:

  • Os sintomas são persistentes e interferem em sono, exercício ou trabalho
  • A endoscopia confirma obstrução anatômica compatível com a queixa
  • O tratamento clínico adequado não resolveu
  • Há sinusites de repetição relacionadas ao bloqueio da drenagem
  • Existe sangramento recorrente sobre esporão septal
  • É preciso acesso ao nariz para outra cirurgia endoscópica

Em adolescentes, considera-se o crescimento facial. Desvios graves que impedem a respiração podem ser corrigidos mais cedo, com técnica conservadora. Quando há também intenção estética, costuma-se aguardar a maturidade esquelética, por volta de 13 a 14 anos em meninas e 15 a 16 anos em meninos, com avaliação de idade óssea se houver dúvida.

Como é a septoplastia

A septoplastia é feita por via endonasal, sem corte externo na maioria dos casos. O cirurgião descola a mucosa, remove ou reposiciona as porções desviadas de cartilagem e osso e devolve o septo ao centro. Partes de cartilagem retiradas podem ser remodeladas e reimplantadas para dar suporte.

Quando há hipertrofia de cornetos, faz-se a turbinoplastia no mesmo tempo cirúrgico. Quando há colapso de válvula, usam-se enxertos de cartilagem para reforçar as paredes laterais, um princípio da rinoplastia estruturada.

Pontos práticos do procedimento:

ItemComo costuma ser
AnestesiaGeral, ou sedação em casos selecionados
DuraçãoVariável conforme a complexidade e o que for associado
Tampão nasalDispensado na maioria dos casos
Splint de siliconeEm alguns casos, por cerca de 10 dias
InternaçãoHabitualmente de 12 a 24 horas
LocalHospital, em Maringá, com estrutura de centro cirúrgico e UTI

Pós-operatório e recuperação

O nariz fica congestionado nos primeiros dias por edema interno, o que é esperado e não significa que a cirurgia falhou. Sangramento leve nas primeiras 48 a 72 horas é comum.

Cuidados habituais:

  • Lavagem nasal com soro, conforme orientação, várias vezes ao dia
  • Nunca assoar o nariz nas primeiras semanas
  • Dormir com a cabeceira elevada
  • Evitar esforço físico nos primeiros 15 dias
  • Evitar sol forte, praia e piscina no primeiro mês

A melhora da respiração costuma ser progressiva ao longo de semanas, à medida que o edema cede. Detalhes de cada fase estão reunidos na página de pós-operatório.

Septoplastia, rinoplastia ou as duas

A septoplastia corrige a função. A rinoplastia modifica a forma externa. Quando as duas coisas incomodam, elas podem ser feitas no mesmo ato, o que se chama rinosseptoplastia.

Isso é vantajoso porque evita duas anestesias e porque permite usar a cartilagem do septo como enxerto para sustentar a ponta e as válvulas. Técnicas de preservação de dorso e de rinoplastia ultrassônica também se aplicam nesses casos, sempre respeitando a estrutura que mantém o nariz aberto.

Se o foco é apenas a função, a avaliação em otorrinolaringologia segue o mesmo rigor de exame.

Quando procurar o Dr. Sella

Faz sentido marcar uma avaliação se você convive com nariz entupido na maior parte dos dias, dorme com a boca aberta, tem sinusites repetidas ou já usou corticoide nasal por semanas sem melhora consistente.

A consulta dura cerca de uma hora e inclui anamnese, exame interno do nariz, fotografias padronizadas quando há questão estética e explicação da conduta proposta. Se você mora em outra cidade, veja como funciona o fluxo para pacientes de outras cidades, com teleconsulta inicial e exames feitos na sua região.

A indicação cirúrgica, os riscos e o plano são individuais e definidos após essa avaliação.

Dr. Guilherme Sella
Revisado por Dr. Guilherme Sella

Otorrinolaringologista e cirurgião facial · CRM-PR 33.018 · RQE 17.984. Doutor pela FMRP-USP, fundador do Sella Learning Center. Atualizado em 2026-10-07.

Perguntas frequentes

Desvio de septo sempre precisa de cirurgia?

Não. A maioria das pessoas tem algum grau de desvio e nunca apresenta sintomas. A cirurgia é indicada quando há obstrução persistente, sinusites de repetição ou sangramentos, com exame compatível e falha do tratamento clínico.

Remédio pode corrigir o desvio de septo?

Nenhum medicamento move cartilagem ou osso. Corticoide nasal e lavagem salina tratam a inflamação da mucosa, que muitas vezes responde por boa parte da sensação de nariz entupido.

A septoplastia muda o formato do nariz?

A septoplastia isolada é feita por dentro e, em regra, não altera a aparência externa. Quando existe desejo de mudar o formato, planeja-se uma rinosseptoplastia, com objetivos funcionais e estéticos definidos em consulta.

Precisa de tomografia para diagnosticar desvio de septo?

Não em todos os casos. A endoscopia nasal costuma ser suficiente para o diagnóstico. A tomografia é reservada para suspeita de doença dos seios da face, pólipos, cirurgia prévia ou trauma importante.

Quanto tempo leva para respirar melhor depois da cirurgia?

O nariz fica congestionado nos primeiros dias por edema interno. A melhora é progressiva ao longo de algumas semanas, acompanhando a redução do inchaço e as lavagens nasais.

O plano de saúde cobre a septoplastia?

O atendimento no consultório do Dr. Sella é exclusivamente particular. A clínica fornece a documentação necessária para que você solicite reembolso ao seu plano, inclusive da parte funcional, como septo, cornetos e seios da face.

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