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Sinusite crônica: quando a cirurgia endoscópica é indicada.

Nem toda sinusite precisa de cirurgia. A decisão depende de tempo de sintomas, achados da tomografia, presença de pólipos e resposta ao tratamento clínico bem feito.

Publicado em 28 de agosto de 2026Atualizado em 7 de outubro de 2026Revisado por Dr. Guilherme Sella7 min de leitura

A cirurgia endoscópica dos seios paranasais é indicada quando a sinusite crônica persiste por mais de 12 semanas, com sintomas confirmados por endoscopia nasal e tomografia, e sem melhora após tratamento clínico adequado com corticoide tópico nasal, lavagem salina e, quando indicado, antibiótico ou corticoide oral. Também entra em cena em pólipos nasais extensos, complicações orbitárias ou cranianas e suspeita de tumores ou fungus ball. O objetivo é abrir a drenagem natural dos seios e permitir que o remédio tópico chegue onde precisa. O Dr. Guilherme Sella, otorrinolaringologista em Maringá, avalia cada caso em consulta antes de qualquer indicação.

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Dr. Guilherme Sella no consultório · Sinusite crônica: quando a cirurgia endoscópica é indicada
Dr. Guilherme Sella no consultório

O que é sinusite crônica

Sinusite crônica, hoje chamada de rinossinusite crônica, é uma inflamação persistente da mucosa do nariz e dos seios paranasais que dura 12 semanas ou mais. É diferente da sinusite aguda, aquela que vem depois de um resfriado e melhora em dias ou poucas semanas.

O diagnóstico exige dois ou mais sintomas, sendo pelo menos um deles obstrução nasal ou secreção:

  • Nariz entupido ou sensação de bloqueio
  • Secreção nasal anterior ou escorrendo para a garganta
  • Dor ou pressão na face
  • Redução ou perda do olfato

E exige confirmação objetiva: endoscopia nasal mostrando pólipos, secreção purulenta ou edema, ou tomografia computadorizada com alterações nos seios paranasais. Sintoma isolado não fecha diagnóstico. Dor de cabeça sozinha, sem outros achados, raramente é sinusite.

Com ou sem pólipos: por que essa divisão importa

A rinossinusite crônica é dividida em dois grandes grupos, e o comportamento de cada um é bem diferente.

Sem pólipos nasaisCom pólipos nasais
Sintoma predominanteDor facial, secreção, obstruçãoObstrução, perda do olfato
Mecanismo frequenteBloqueio da drenagem, infecçãoInflamação difusa da mucosa
Resposta a corticoide tópicoVariávelGeralmente boa, mas precisa ser contínua
Associação com asmaMenos frequenteMuito frequente
Risco de recidiva após cirurgiaMenorMaior
Papel da cirurgiaCorrigir o bloqueioAbrir acesso para o remédio tópico

Essa separação muda a conversa na consulta. Na doença com pólipos, a cirurgia quase nunca é o ponto final do tratamento. Ela é o passo que permite controlar a inflamação com medicação por longo prazo.

A relação entre sinusite crônica e asma

Nariz e pulmão fazem parte da mesma via aérea. Quem tem rinossinusite crônica com pólipos frequentemente tem asma, e o contrário também é verdadeiro.

O Dr. Sella é coautor de um estudo publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice em 2020, intitulado "Asthma Is the Dominant Factor for Recurrence in Chronic Rhinosinusitis". O trabalho analisou fatores ligados à recidiva da doença após tratamento e identificou a asma como o fator dominante de recorrência. A lista completa dos trabalhos está em publicações.

O que isso significa na prática:

  1. Se você tem asma, o controle pulmonar precisa andar junto com o tratamento nasal.
  2. A chance de os pólipos voltarem depois da cirurgia é maior em quem tem asma.
  3. Isso não contraindica operar. Significa que o plano pós-operatório de manutenção, com corticoide tópico e acompanhamento, é parte essencial do tratamento.
  4. Em alguns casos selecionados, medicações biológicas entram no plano, sempre em conjunto com o pneumologista ou alergista.

Quem tem asma, intolerância a anti-inflamatórios e pólipos nasais pode ter a chamada doença respiratória exacerbada por aspirina, um perfil que exige acompanhamento mais próximo.

Quando a cirurgia é indicada

A indicação cirúrgica nasce do fracasso do tratamento clínico bem conduzido, não da simples presença de alterações na tomografia. Tomografia alterada em pessoa sem sintomas não é motivo para operar.

Critérios que costumam levar à indicação:

  • Sintomas persistentes por mais de 12 semanas, com impacto real na qualidade de vida
  • Tratamento clínico adequado por tempo suficiente, incluindo corticoide tópico nasal usado da forma correta e lavagem com soro fisiológico em volume generoso
  • Endoscopia e tomografia confirmando a doença
  • Pólipos nasais obstruindo as fossas nasais
  • Episódios repetidos de sinusite aguda ao longo do ano
  • Fungus ball, uma bola fúngica dentro do seio, que não responde a remédio e exige remoção
  • Mucocele, cisto ou tumor suspeito
  • Complicação orbitária ou intracraniana, situação de urgência

O Dr. Sella também assina uma revisão sistemática sobre apresentações raras de fungus ball do seio frontal, publicada no International Archives of Otorhinolaryngology em 2022, e outra sobre a relação entre rinossinusite crônica e refluxo gastroesofágico, publicada no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology em 2017. Refluxo mal controlado é um dos fatores que podem manter a inflamação apesar do tratamento.

Como é a cirurgia endoscópica dos seios paranasais

A cirurgia é feita pelas narinas, sem cortes externos e sem cicatriz no rosto. O cirurgião usa endoscópios rígidos e instrumentos finos, com imagem ampliada em monitor.

O princípio atual é funcional. Em vez de retirar mucosa de forma agressiva, o objetivo é abrir as vias naturais de drenagem de cada seio, remover pólipos e tecido doente e preservar o máximo de mucosa saudável. Mucosa preservada volta a funcionar.

A extensão varia conforme a tomografia. Pode envolver abertura do seio maxilar, etmoidectomia, abertura do frontal ou do esfenoide. Em muitos casos, se associa septoplastia e turbinoplastia, porque septo desviado e cornetos aumentados dificultam tanto o acesso quanto a chegada do remédio tópico depois. Esses detalhes de via aérea estão explicados em rinoplastia funcional e no panorama de otorrinolaringologia.

A anestesia é geral. O tempo depende da extensão. Quando indicado, o procedimento é realizado em ambiente hospitalar com estrutura completa, conforme descrito em a clínica.

A cirurgia endoscópica abre caminho. O controle da inflamação depende do tratamento que continua depois dela.

Recuperação: o que esperar

Os primeiros dias costumam ser mais desconfortáveis pela sensação de nariz entupido, por causa do edema e das crostas, não por dor intensa.

Pontos gerais do pós-operatório:

  • Primeiras 48 a 72 horas: sangramento leve é esperado. Cabeceira elevada e repouso relativo ajudam.
  • Lavagem nasal com soro: é a parte mais importante da recuperação. Feita várias vezes ao dia, remove crostas e acelera a cicatrização.
  • Nunca assoar o nariz no período inicial.
  • Limpezas endoscópicas no consultório: algumas revisões para remover crostas e coágulos, nas primeiras semanas.
  • Retorno ao trabalho: muitas pessoas voltam a atividades leves em cerca de uma semana, variando com o caso.
  • Exercícios e esforço físico: liberados de forma progressiva, conforme orientação.
  • Olfato e respiração: melhoram de forma gradual ao longo de semanas. A mucosa leva de 2 a 3 meses para se estabilizar.
  • Corticoide tópico nasal: na doença com pólipos, costuma ser mantido por tempo prolongado.

Algumas pessoas percebem melhora da respiração já nos primeiros dias. Outras sentem o nariz pior antes de melhorar, por causa do edema. As duas situações são comuns.

Riscos e limites do procedimento

Como toda cirurgia, existem riscos. Sangramento, aderências entre a mucosa e o septo, recidiva de pólipos, alteração do olfato e, em frequência baixa, complicações orbitárias ou de base de crânio, já que os seios fazem fronteira com a órbita e com o cérebro. Por isso a tomografia pré-operatória é estudada com atenção e a técnica endoscópica é conduzida com referências anatômicas claras.

O limite mais importante de entender: a cirurgia trata a obstrução mecânica e remove tecido doente. Ela não desliga a tendência inflamatória de quem tem pólipos, asma ou alergia. Esses pacientes precisam de acompanhamento continuado.

Experiência e formação em cirurgia nasal

O Dr. Guilherme Sella é otorrinolaringologista com RQE 17.984, residência no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e doutorado em Morfofisiologia de Estruturas Faciais na mesma instituição, concluído em 2018. Sua produção científica inclui trabalhos sobre rinossinusite crônica indexados no PubMed. Além da cirurgia endoscópica dos seios, atua em cirurgia endoscópica da base do crânio e dacriocistorrinostomia endoscópica. Mais sobre a trajetória em sobre o Dr. Guilherme Sella.

Quando procurar o Dr. Sella

Vale marcar uma avaliação se você tem nariz entupido há mais de três meses, secreção constante, perda de olfato, episódios repetidos de sinusite ou já usou vários tratamentos sem melhora duradoura. Leve exames prévios, tomografia e a lista de medicações que já tentou.

A consulta dura cerca de uma hora e inclui exame endoscópico do nariz. O atendimento é presencial em Maringá ou por teleconsulta. Quem vem de outras cidades encontra orientações em pacientes de outras cidades. Para agendar, veja consulta ou contato. A indicação, os riscos e o plano de tratamento são sempre individuais e definidos após avaliação.

Dr. Guilherme Sella
Revisado por Dr. Guilherme Sella

Otorrinolaringologista e cirurgião facial · CRM-PR 33.018 · RQE 17.984. Doutor pela FMRP-USP, fundador do Sella Learning Center. Atualizado em 2026-10-07.

Perguntas frequentes

Toda sinusite crônica precisa de cirurgia?

Não. A maioria dos casos é controlada com corticoide tópico nasal, lavagem salina e tratamento dos fatores associados, como alergia e refluxo. A cirurgia entra quando o tratamento clínico bem conduzido não resolve ou quando há pólipos extensos, fungus ball ou complicações.

A cirurgia de sinusite deixa cicatriz no rosto?

Não. A cirurgia endoscópica é feita inteiramente pelas narinas, com endoscópios e instrumentos finos, sem cortes externos.

Os pólipos nasais podem voltar depois da cirurgia?

Sim, especialmente em quem tem asma. Estudo do qual o Dr. Sella é coautor identificou a asma como fator dominante de recorrência na rinossinusite crônica. Por isso o tratamento de manutenção após a cirurgia é essencial.

Quanto tempo leva a recuperação?

Atividades leves costumam ser retomadas em cerca de uma semana. A respiração e o olfato melhoram de forma gradual, e a mucosa leva em torno de 2 a 3 meses para se estabilizar. O prazo varia conforme a extensão da cirurgia.

É preciso usar tampão nasal depois?

Na maioria dos casos atuais não se usa tampão tradicional. Quando algum material é colocado, costuma ser absorvível ou retirado em poucos dias, conforme a avaliação do cirurgião.

A cirurgia pode ser feita junto com a septoplastia?

Sim. Septoplastia e turbinoplastia são frequentemente associadas, porque melhoram a respiração e facilitam o acesso cirúrgico e a chegada da medicação tópica aos seios depois.

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