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Narinas largas e a alectomia: quando indicar.

A largura da base do nariz depende da asa, do assoalho e da projeção da ponta. Entender qual dessas estruturas domina o seu caso é o que define se vale ressecar pele ou apenas reposicionar a ponta.

Publicado em 20 de setembro de 2026Atualizado em 7 de outubro de 2026Revisado por Dr. Guilherme Sella7 min de leitura

Narinas largas vêm de três fontes diferentes: asas que se abrem para fora, base larga no assoalho da narina e ponta pouco projetada, que espalha a base. A alectomia, ressecção da base alar, resolve as duas primeiras situações. Por isso ela é planejada no fim da rinoplastia, depois de definida a projeção da ponta, e raramente é feita isolada. Quando bem indicada, a cicatriz fica escondida no sulco alar ou dentro do assoalho. Na consulta, o Dr. Guilherme Sella mede a base, avalia a espessura da pele e a válvula externa para identificar se existe excesso real de tecido.

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Dr. Guilherme Sella durante uma rinoplastia · Narinas largas: quando a alectomia é indicada e quando não
Dr. Guilherme Sella durante uma rinoplastia

O que realmente deixa as narinas largas

A expressão "narina larga" costuma descrever três achados distintos, que exigem condutas distintas.

O primeiro é o flare alar, ou abertura das asas. A parede da asa se projeta para fora, acima da linha da base, e o nariz parece aberto de frente. O segundo é a largura interalar, a distância entre os dois pontos mais laterais da base. Aqui o excesso está no assoalho da narina, na região chamada sill. O terceiro é o mais frequente e o menos percebido pelo paciente: uma ponta pouco projetada ou caída. Quando a ponta não sustenta a pele, as cartilagens alares se deitam para os lados e a base se espalha, sem que haja excesso algum de tecido.

Existe ainda um quarto cenário. Alguns pacientes têm asas finas e móveis, que colapsam ou dilatam muito na inspiração. Isso é função da válvula nasal externa e da musculatura, e piora com qualquer estreitamento mal calculado.

Antes de pensar em cortar, o cirurgião precisa responder qual desses componentes domina. Essa leitura é feita no exame físico, nas fotografias padronizadas e na simulação digital, parte do protocolo de consulta.

Alectomia, ressecção de assoalho e sutura de base: o que cada um faz

Alectomia é o nome genérico para as ressecções da base alar. Na prática, existem variações com objetivos diferentes.

Achado principalOnde está o excessoConduta usualOnde fica a cicatriz
Flare das asasParede lateral da asaRessecção em cunha da parede alarNo sulco alar ou poucos milímetros acima dele
Base interalar largaAssoalho da narinaRessecção do assoalhoDentro da narina, escondida
Flare e base largosAsa e assoalhoRessecção combinadaSulco alar e assoalho
Base espalhada por ponta baixaNão há excesso de peleProjeção e rotação da ponta com enxertosSem cicatriz externa adicional
Asa mole, colapso dinâmicoFragilidade da válvula externaEnxerto de reforço alarSem cicatriz externa adicional

A sutura de aproximação da base, conhecida como cinch, estreita o assoalho sem ressecar pele em casos selecionados. É útil quando a base abriu após desinserção da musculatura durante a cirurgia.

Por que a base costuma estreitar sem cortar nada

Esta é a parte que mais surpreende o paciente. Em muitos narizes, apenas projetar e rotar a ponta já reduz a aparência de narinas largas. A pele da base é redistribuída para cima e para frente, as asas acompanham e a largura aparente diminui.

É por isso que a alectomia é sempre o último passo da cirurgia. Se ela fosse feita no início, a medida seria calculada sobre um nariz que ainda vai mudar de forma. O risco de estreitar demais aumenta.

Na rinoplastia estruturada, enxertos de septo, orelha ou costela sustentam a ponta e corrigem indiretamente a base. Nas técnicas de preservação de dorso, o mesmo raciocínio se aplica à ponta, que é tratada de forma independente do dorso.

Quando a alectomia é indicada

A indicação aparece quando sobra tecido de verdade, e não quando a base apenas parece larga.

  • Flare alar que persiste depois de a ponta estar projetada e rotada na mesa cirúrgica.
  • Base interalar claramente desproporcional ao terço médio e à largura do dorso.
  • Narinas assimétricas em largura ou em forma, especialmente após trauma.
  • Assoalho muito espesso, com narinas horizontalizadas.
  • Casos de rinoplastia secundária em que a base ficou alargada por perda de suporte.

Uma referência clássica de ensino compara a largura da base com a distância entre os cantos internos dos olhos. Ela serve como ponto de partida, nunca como regra. Proporção de base faz parte da identidade étnica e familiar do rosto, e apagar isso produz um nariz que não combina com a face.

A pergunta correta não é se a base pode ser estreitada, e sim quantos milímetros podem sair sem alterar a forma da narina nem a respiração.

Quando a alectomia não é indicada

  • Quando a causa é ponta caída ou pouco projetada. Estreitar a base nesse cenário deixa o nariz estreito embaixo e pesado na ponta.
  • Quando existe colapso da válvula externa. A ressecção pode agravar a obstrução, e a prioridade passa a ser o reforço alar, tema da rinoplastia funcional.
  • Quando o paciente tem histórico de cicatriz hipertrófica, queloide ou discromia importante em cicatrizes anteriores.
  • Quando a largura está dentro da proporção do rosto e a queixa é de expectativa, e não de anatomia.
  • Quando o desejo é um estreitamento grande em pele muito espessa e sebácea, situação em que a cicatriz tende a ser mais visível.

Cicatrizes: onde ficam e o que esperar

Toda alectomia deixa cicatriz, porque envolve retirada de pele. O que muda é a visibilidade.

A incisão na parede alar fica no sulco que separa a asa da bochecha, ou poucos milímetros acima dele, para evitar que a cicatriz migre e se torne aparente. A ressecção de assoalho fica dentro da narina. Os dois erros mais comuns em técnica são o notching, uma pequena fenda na borda da narina, e a perda do contorno arredondado da narina, que passa a ter aspecto retificado.

Cuidados que fazem diferença nas primeiras semanas:

  1. Pontos retirados em torno de 7 dias.
  2. Proteção solar com FPS 30 por 3 meses, sem sol direto no primeiro mês.
  3. Silicone em gel ou fita, conforme orientação da equipe.
  4. Massagem suave somente quando liberada.
  5. Paciência: a cicatriz amadurece ao longo de 6 a 12 meses, no mesmo ritmo do restante do nariz, como descrito no pós-operatório.

O ultrassom dermatológico usado no pré-operatório ajuda nessa decisão. Ele mede a espessura da pele, identifica preenchedores antigos e mostra a vascularização da região, informação útil quando se planeja mexer em asa e columela no mesmo tempo cirúrgico.

Alectomia isolada: por que é rara

A alectomia pode ser feita sozinha, com anestesia local, em situações bem delimitadas. Exemplo: paciente satisfeito com dorso, ponta e respiração, com queixa restrita ao flare das asas. Ou retoque de base em quem já operou o nariz e manteve um alargamento residual.

Na maioria dos casos, a base larga é consequência de outra coisa. Tratar só a base nessas pessoas produz um resultado desequilibrado, com nariz afinado embaixo e proporções inalteradas no restante. É por isso que a base costuma ser corrigida dentro de uma rinoplastia completa, no fim do procedimento, com medidas conferidas com projetômetro e fotografia intraoperatória.

Vale registrar o que não funciona para narinas largas: preenchedor com ácido hialurônico não estreita base alar, e fios de PDO não sustentam asa. O cirurgião não recomenda esses recursos para esse objetivo.

Quando procurar o Dr. Sella

Se a sua queixa é base nasal larga, narinas abertas de frente ou assimetria de asas, a avaliação presencial em Maringá ou a teleconsulta inicial permitem definir qual componente predomina. A consulta dura cerca de 1 hora e inclui exame interno do nariz, fotografias padronizadas e simulação digital, com semelhança estimada entre 60% e 70% do resultado final.

Pacientes de outras cidades fazem a primeira avaliação online e organizam a viagem depois, conforme o roteiro descrito em pacientes de outras cidades. Indicação, riscos e plano cirúrgico são individuais e definidos somente após essa avaliação.

Dr. Guilherme Sella
Revisado por Dr. Guilherme Sella

Otorrinolaringologista e cirurgião facial · CRM-PR 33.018 · RQE 17.984. Doutor pela FMRP-USP, fundador do Sella Learning Center. Atualizado em 2026-10-07.

Perguntas frequentes

A cicatriz da alectomia fica visível?

A incisão é posicionada no sulco alar ou dentro do assoalho da narina, o que costuma deixar a cicatriz discreta. A visibilidade depende da espessura da pele, da quantidade de tecido retirado, da técnica de sutura e dos cuidados com sol nos primeiros meses.

Posso fazer apenas a alectomia, sem rinoplastia completa?

Sim, em casos selecionados, geralmente com anestesia local, quando o paciente está satisfeito com dorso, ponta e respiração e a queixa se limita à abertura das asas. Essa é a minoria dos casos, porque base larga costuma ser consequência de ponta pouco projetada.

Estreitar as narinas prejudica a respiração?

Pode prejudicar se a ressecção for excessiva ou se houver fragilidade da válvula nasal externa não tratada. Por isso a medida é calculada no fim da cirurgia e, quando existe colapso alar, a prioridade passa a ser o reforço da asa.

Preenchimento ou fios resolvem narinas largas?

Não. Ácido hialurônico e fios de PDO não reduzem a largura da base alar. Nessa queixa específica, a correção depende de ressecção de tecido ou de mudança na projeção da ponta.

Em quanto tempo a base assume a forma definitiva?

O contorno da base acompanha o restante do nariz, com resultado definitivo entre 6 e 12 meses, podendo chegar a 18 meses em pele espessa ou em cirurgias de revisão. A cicatriz amadurece no mesmo período.

A alectomia é feita antes ou depois do resto da cirurgia?

Depois. A projeção e a rotação da ponta alteram a largura aparente da base, então a medida só é confiável quando o restante do nariz já está definido na mesa cirúrgica.

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Presencial em Maringá ou por teleconsulta. A avaliação inclui exame físico, fotografias e simulação.

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