Nariz em sela: devolver estrutura ao dorso afundado.
Trauma, cirurgia prévia, infecções e doenças inflamatórias podem destruir o suporte do septo e afundar o dorso. A reconstrução é possível, exige planejamento e, quase sempre, enxerto de cartilagem.
O nariz em sela é o afundamento do dorso nasal causado pela perda de suporte do septo, que deixa de sustentar a pirâmide. O perfil fica côncavo, o nariz encurta, a ponta sobe e a obstrução nasal costuma acompanhar o quadro. As causas mais frequentes são trauma com hematoma ou abscesso de septo, cirurgia prévia com ressecção excessiva, doenças inflamatórias e uso de cocaína. O tratamento é cirúrgico e reconstrutivo: devolver um arcabouço estável, em geral com enxerto de cartilagem costal. O Dr. Guilherme Sella avalia causa, atividade da doença e tecidos antes de indicar a reconstrução.

O que é o nariz em sela
O nariz tem um pilar central. O septo nasal, na porção que vai da raiz até a ponta, funciona como uma viga que sustenta o dorso e mantém o nariz projetado e com comprimento adequado. Quando essa viga perde altura ou se fragmenta, o dorso afunda. O perfil assume uma concavidade típica, que lembra uma sela de cavalo.
O quadro raramente se resume ao perfil. Com a perda de suporte, o nariz costuma ficar mais curto, a ponta gira para cima, a columela se retrai e as narinas ficam mais visíveis de frente. A base alarga. A pele, sem arcabouço embaixo, acomoda-se e engrossa com o tempo.
É importante separar o nariz em sela verdadeiro de um dorso naturalmente baixo. Dorso baixo é uma característica anatômica, estável, sem perda de tecido. Nariz em sela é consequência de perda de estrutura, geralmente progressiva, e vem acompanhado de alterações da ponta e da respiração.
Por que o dorso afunda: as causas mais comuns
Identificar a causa muda completamente o planejamento. Operar sem saber a origem do colapso é o erro mais frequente nesses casos.
| Causa | Como costuma acontecer |
|---|---|
| Trauma nasal | Fratura com desabamento do septo, ou hematoma de septo não drenado que evolui para abscesso e destrói a cartilagem, às vezes ainda na infância |
| Cirurgia prévia | Septoplastia ou rinoplastia com ressecção excessiva do septo, deixando o suporte central insuficiente |
| Doenças inflamatórias | Granulomatose com poliangeíte, policondrite recidivante, sarcoidose e outras condições que inflamam e consomem a cartilagem |
| Infecções | Sífilis, hanseníase, tuberculose e leishmaniose, em contextos específicos |
| Uso de cocaína | Lesão destrutiva da linha média, com perfuração de septo que progride para colapso do dorso |
| Tumores e radioterapia | Situações menos comuns, com perda de tecido na região central |
Em crianças, o hematoma de septo merece atenção especial. Um nariz que leva uma pancada, incha por dentro e obstrui nos dias seguintes precisa ser examinado. A drenagem precoce evita a perda de cartilagem que só vai aparecer como deformidade anos depois, no crescimento.
Por que quase sempre existe obstrução nasal junto
O mesmo septo que sustenta o dorso forma a parede divisória das fossas nasais e participa da válvula nasal interna, a região mais estreita da via aérea. Quando ele colapsa, a válvula desaba junto. O paciente respira mal, piora deitado ou durante exercício, e muitas vezes já tentou sprays e lavagens sem resultado.
Por isso a reconstrução do nariz em sela é, por definição, uma cirurgia funcional e estética ao mesmo tempo. Não existe como corrigir o perfil sem reconstruir o suporte que também abre a respiração. Essa sobreposição está explicada em rinoplastia funcional.
O que precisa ser investigado antes da cirurgia
Antes de propor qualquer reconstrução, o cirurgião precisa saber se o processo que destruiu a cartilagem ainda está ativo. Operar um nariz com doença inflamatória em atividade, ou com uso de cocaína em curso, tende ao insucesso porque o enxerto é colocado em um ambiente que continua destruindo tecido.
A avaliação costuma incluir:
- História detalhada: traumas, cirurgias anteriores, relatórios cirúrgicos, uso de substâncias, sintomas sistêmicos como artrite, tosse, alterações renais ou oculares.
- Exame endoscópico do nariz, para medir o que sobrou de septo e procurar perfurações e crostas.
- Exames laboratoriais e sorologias quando há suspeita de doença sistêmica ou infecciosa, com encaminhamento ao reumatologista ou infectologista.
- Biópsia da mucosa em casos selecionados.
- Tomografia de seios da face, para mapear o arcabouço ósseo remanescente.
- Ultrassom dermatológico no pré-operatório, que ajuda a medir a espessura da pele, identificar preenchedores antigos, avaliar enxertos prévios e a vascularização da columela, além de auxiliar na escolha da costela.
Quando existe doença de base, a regra é operar com a doença controlada e estável, em conjunto com o médico que acompanha o caso. Nas lesões por cocaína, exige-se período documentado de abstinência antes de considerar a reconstrução.
Graus do nariz em sela e o que cada um costuma exigir
A classificação prática mais útil considera quanto suporte foi perdido e se a ponta e a columela também estão comprometidas.
| Situação | Características | Estratégia habitual |
|---|---|---|
| Leve | Pequena depressão do dorso cartilaginoso, septo ainda estável, respiração preservada | Camuflagem com cartilagem, fáscia ou cartilagem picada |
| Moderada | Dorso visivelmente afundado, válvula interna colapsada, ponta pouco alterada | Reconstrução do suporte com enxertos extendidos de espalhamento e enxerto de dorso |
| Grave | Perda ampla do septo, nariz curto, ponta girada, columela retraída, obstrução importante | Reconstrução completa do arcabouço em L, com cartilagem de costela |
| Com perda de revestimento | Perfuração grande, crostas, pele retraída, cicatrizes internas | Reconstrução em etapas, com atenção ao revestimento interno antes da estrutura |
O princípio é sempre o mesmo: reconstruir uma viga estável da raiz até a ponta e reconstruir as paredes laterais. Essa lógica é a da rinoplastia estruturada, oposta à simples colocação de um enxerto de dorso para disfarçar a depressão. Enxerto sobre um nariz sem suporte melhora a foto de perfil e não resolve a respiração nem a retração.
Reconstrução: de onde vem a cartilagem
O nariz em sela consome material. A escolha da fonte depende da quantidade necessária e do que ainda existe disponível.
| Fonte | Quando é suficiente | Limitações |
|---|---|---|
| Septo | Casos leves, quando sobrou septo utilizável | Em geral é justamente o que foi perdido |
| Orelha | Camuflagem, enxertos de ponta, reforço lateral | Cartilagem curva e pouco resistente, volume limitado |
| Costela própria | Casos moderados e graves, reconstrução do arcabouço em L | Exige incisão no tórax, dor local nos primeiros dias, risco de encurvamento tardio do enxerto |
| Costela de doador processada | Alternativa em pacientes selecionados, sem incisão torácica | Reabsorção menos previsível a longo prazo |
| Fáscia e cartilagem picada | Suavizar contorno e cobrir enxertos em pele fina | Não sustenta estrutura sozinha |
Na prática, reconstruções graves se apoiam na costela do próprio paciente, esculpida e fixada para formar um novo pilar central, com enxertos que reabrem a válvula nasal e reposicionam a ponta. A pele espessa e as cicatrizes de cirurgias anteriores tornam o caso mais exigente, situação comum na rinoplastia secundária.
Como é a cirurgia e o pós-operatório
A reconstrução é feita sob anestesia geral, quase sempre por via aberta, que permite fixar enxertos com precisão. A duração costuma ser maior que a de uma rinoplastia primária, que leva de 3 a 5 horas. A internação é de 12 a 24 horas no Saine Health Complex, em Maringá.
O pós-operatório segue a rotina descrita em pós-operatório da rinoplastia: placa externa por cerca de 7 dias, depois esparadrapagem por mais uma semana, cabeceira elevada, gelo nas primeiras semanas, sem óculos por 4 semanas, protetor solar por 3 meses. Quando houve retirada de costela, soma-se desconforto torácico nos primeiros dias, que melhora progressivamente.
Sobre expectativas, vale ser direto. O objetivo é devolver estrutura, contorno e respiração. O resultado definitivo demora mais do que em uma rinoplastia comum, podendo chegar a 12 a 18 meses em peles espessas e narizes reoperados. A simulação digital mostra direção, com semelhança aproximada de 60 a 70 por cento. A literatura de rinoplastia registra taxas de revisão em torno de 5 a 15 por cento, e casos reconstrutivos tendem a exigir mais ajustes. Nada disso é definido por regra geral: indicação, riscos e plano são individuais e discutidos na consulta.
Quando procurar o Dr. Sella
Se o seu dorso afundou após trauma, cirurgia ou doença, se você percebe o nariz encurtando com o tempo, ou se respira cada vez pior com crostas e sangramentos, vale uma avaliação com otorrinolaringologista que também faça cirurgia reconstrutiva do nariz. O Dr. Sella atende em Maringá, com teleconsulta inicial para pacientes de outras cidades, e a conduta é definida após exame, exames complementares e investigação da causa.
Perguntas frequentes
Nariz em sela tem solução sem cirurgia?
Não. O afundamento ocorre por perda de estrutura interna, e apenas a reconstrução cirúrgica devolve suporte. Preenchedores podem disfarçar depressões muito pequenas em casos selecionados, sem corrigir respiração nem retração.
Sempre é preciso usar costela?
Não. Casos leves podem ser resolvidos com cartilagem de septo ou de orelha. Perdas moderadas e graves geralmente exigem cartilagem costal, porque é a única fonte com volume e resistência suficientes para reconstruir o pilar central.
Quanto tempo depois do trauma posso operar?
Fraturas recentes têm manejo próprio e urgente, principalmente o hematoma de septo. Para reconstruir um dorso já afundado, espera-se a estabilização dos tecidos, em geral alguns meses após o evento, com avaliação individual.
Tenho doença autoimune. Posso fazer a reconstrução?
Pode ser possível, desde que a doença esteja controlada e estável, com acompanhamento do reumatologista. Operar com inflamação ativa aumenta muito o risco de o enxerto ser reabsorvido e a deformidade retornar.
A cicatriz da costela fica aparente?
A incisão é pequena e posicionada na região inframamária ou no rebordo costal, ficando discreta com o tempo. Nos primeiros dias existe dor local ao respirar fundo e ao tossir, que melhora progressivamente.
O resultado demora quanto para aparecer?
A forma geral já é visível após a retirada da placa, por volta de 7 dias. O refinamento continua por meses, e em narizes reconstruídos o resultado definitivo pode levar de 12 a 18 meses.
Tire suas dúvidas em uma consulta com o Dr. Guilherme Sella
Presencial em Maringá ou por teleconsulta. A avaliação inclui exame físico, fotografias e simulação.

