Dr. Sella — Rinoplastia e Cirurgia Facial
Dúvida sobre o seu caso?

A equipe do Dr. Sella responde pelo WhatsApp em horário comercial.

Falar no WhatsApp
Artigo

Nariz em sela: devolver estrutura ao dorso afundado.

Trauma, cirurgia prévia, infecções e doenças inflamatórias podem destruir o suporte do septo e afundar o dorso. A reconstrução é possível, exige planejamento e, quase sempre, enxerto de cartilagem.

Publicado em 19 de setembro de 2026Atualizado em 7 de outubro de 2026Revisado por Dr. Guilherme Sella7 min de leitura

O nariz em sela é o afundamento do dorso nasal causado pela perda de suporte do septo, que deixa de sustentar a pirâmide. O perfil fica côncavo, o nariz encurta, a ponta sobe e a obstrução nasal costuma acompanhar o quadro. As causas mais frequentes são trauma com hematoma ou abscesso de septo, cirurgia prévia com ressecção excessiva, doenças inflamatórias e uso de cocaína. O tratamento é cirúrgico e reconstrutivo: devolver um arcabouço estável, em geral com enxerto de cartilagem costal. O Dr. Guilherme Sella avalia causa, atividade da doença e tecidos antes de indicar a reconstrução.

Quer saber se isso se aplica ao seu caso?Falar com a equipe
Dr. Guilherme Sella durante uma rinoplastia · Nariz em sela: por que o dorso afunda e como reconstruir
Dr. Guilherme Sella durante uma rinoplastia

O que é o nariz em sela

O nariz tem um pilar central. O septo nasal, na porção que vai da raiz até a ponta, funciona como uma viga que sustenta o dorso e mantém o nariz projetado e com comprimento adequado. Quando essa viga perde altura ou se fragmenta, o dorso afunda. O perfil assume uma concavidade típica, que lembra uma sela de cavalo.

O quadro raramente se resume ao perfil. Com a perda de suporte, o nariz costuma ficar mais curto, a ponta gira para cima, a columela se retrai e as narinas ficam mais visíveis de frente. A base alarga. A pele, sem arcabouço embaixo, acomoda-se e engrossa com o tempo.

É importante separar o nariz em sela verdadeiro de um dorso naturalmente baixo. Dorso baixo é uma característica anatômica, estável, sem perda de tecido. Nariz em sela é consequência de perda de estrutura, geralmente progressiva, e vem acompanhado de alterações da ponta e da respiração.

Por que o dorso afunda: as causas mais comuns

Identificar a causa muda completamente o planejamento. Operar sem saber a origem do colapso é o erro mais frequente nesses casos.

CausaComo costuma acontecer
Trauma nasalFratura com desabamento do septo, ou hematoma de septo não drenado que evolui para abscesso e destrói a cartilagem, às vezes ainda na infância
Cirurgia préviaSeptoplastia ou rinoplastia com ressecção excessiva do septo, deixando o suporte central insuficiente
Doenças inflamatóriasGranulomatose com poliangeíte, policondrite recidivante, sarcoidose e outras condições que inflamam e consomem a cartilagem
InfecçõesSífilis, hanseníase, tuberculose e leishmaniose, em contextos específicos
Uso de cocaínaLesão destrutiva da linha média, com perfuração de septo que progride para colapso do dorso
Tumores e radioterapiaSituações menos comuns, com perda de tecido na região central

Em crianças, o hematoma de septo merece atenção especial. Um nariz que leva uma pancada, incha por dentro e obstrui nos dias seguintes precisa ser examinado. A drenagem precoce evita a perda de cartilagem que só vai aparecer como deformidade anos depois, no crescimento.

Por que quase sempre existe obstrução nasal junto

O mesmo septo que sustenta o dorso forma a parede divisória das fossas nasais e participa da válvula nasal interna, a região mais estreita da via aérea. Quando ele colapsa, a válvula desaba junto. O paciente respira mal, piora deitado ou durante exercício, e muitas vezes já tentou sprays e lavagens sem resultado.

Por isso a reconstrução do nariz em sela é, por definição, uma cirurgia funcional e estética ao mesmo tempo. Não existe como corrigir o perfil sem reconstruir o suporte que também abre a respiração. Essa sobreposição está explicada em rinoplastia funcional.

O que precisa ser investigado antes da cirurgia

Antes de propor qualquer reconstrução, o cirurgião precisa saber se o processo que destruiu a cartilagem ainda está ativo. Operar um nariz com doença inflamatória em atividade, ou com uso de cocaína em curso, tende ao insucesso porque o enxerto é colocado em um ambiente que continua destruindo tecido.

A avaliação costuma incluir:

  • História detalhada: traumas, cirurgias anteriores, relatórios cirúrgicos, uso de substâncias, sintomas sistêmicos como artrite, tosse, alterações renais ou oculares.
  • Exame endoscópico do nariz, para medir o que sobrou de septo e procurar perfurações e crostas.
  • Exames laboratoriais e sorologias quando há suspeita de doença sistêmica ou infecciosa, com encaminhamento ao reumatologista ou infectologista.
  • Biópsia da mucosa em casos selecionados.
  • Tomografia de seios da face, para mapear o arcabouço ósseo remanescente.
  • Ultrassom dermatológico no pré-operatório, que ajuda a medir a espessura da pele, identificar preenchedores antigos, avaliar enxertos prévios e a vascularização da columela, além de auxiliar na escolha da costela.

Quando existe doença de base, a regra é operar com a doença controlada e estável, em conjunto com o médico que acompanha o caso. Nas lesões por cocaína, exige-se período documentado de abstinência antes de considerar a reconstrução.

Graus do nariz em sela e o que cada um costuma exigir

A classificação prática mais útil considera quanto suporte foi perdido e se a ponta e a columela também estão comprometidas.

SituaçãoCaracterísticasEstratégia habitual
LevePequena depressão do dorso cartilaginoso, septo ainda estável, respiração preservadaCamuflagem com cartilagem, fáscia ou cartilagem picada
ModeradaDorso visivelmente afundado, válvula interna colapsada, ponta pouco alteradaReconstrução do suporte com enxertos extendidos de espalhamento e enxerto de dorso
GravePerda ampla do septo, nariz curto, ponta girada, columela retraída, obstrução importanteReconstrução completa do arcabouço em L, com cartilagem de costela
Com perda de revestimentoPerfuração grande, crostas, pele retraída, cicatrizes internasReconstrução em etapas, com atenção ao revestimento interno antes da estrutura

O princípio é sempre o mesmo: reconstruir uma viga estável da raiz até a ponta e reconstruir as paredes laterais. Essa lógica é a da rinoplastia estruturada, oposta à simples colocação de um enxerto de dorso para disfarçar a depressão. Enxerto sobre um nariz sem suporte melhora a foto de perfil e não resolve a respiração nem a retração.

Reconstrução: de onde vem a cartilagem

O nariz em sela consome material. A escolha da fonte depende da quantidade necessária e do que ainda existe disponível.

FonteQuando é suficienteLimitações
SeptoCasos leves, quando sobrou septo utilizávelEm geral é justamente o que foi perdido
OrelhaCamuflagem, enxertos de ponta, reforço lateralCartilagem curva e pouco resistente, volume limitado
Costela própriaCasos moderados e graves, reconstrução do arcabouço em LExige incisão no tórax, dor local nos primeiros dias, risco de encurvamento tardio do enxerto
Costela de doador processadaAlternativa em pacientes selecionados, sem incisão torácicaReabsorção menos previsível a longo prazo
Fáscia e cartilagem picadaSuavizar contorno e cobrir enxertos em pele finaNão sustenta estrutura sozinha

Na prática, reconstruções graves se apoiam na costela do próprio paciente, esculpida e fixada para formar um novo pilar central, com enxertos que reabrem a válvula nasal e reposicionam a ponta. A pele espessa e as cicatrizes de cirurgias anteriores tornam o caso mais exigente, situação comum na rinoplastia secundária.

Como é a cirurgia e o pós-operatório

A reconstrução é feita sob anestesia geral, quase sempre por via aberta, que permite fixar enxertos com precisão. A duração costuma ser maior que a de uma rinoplastia primária, que leva de 3 a 5 horas. A internação é de 12 a 24 horas no Saine Health Complex, em Maringá.

O pós-operatório segue a rotina descrita em pós-operatório da rinoplastia: placa externa por cerca de 7 dias, depois esparadrapagem por mais uma semana, cabeceira elevada, gelo nas primeiras semanas, sem óculos por 4 semanas, protetor solar por 3 meses. Quando houve retirada de costela, soma-se desconforto torácico nos primeiros dias, que melhora progressivamente.

Sobre expectativas, vale ser direto. O objetivo é devolver estrutura, contorno e respiração. O resultado definitivo demora mais do que em uma rinoplastia comum, podendo chegar a 12 a 18 meses em peles espessas e narizes reoperados. A simulação digital mostra direção, com semelhança aproximada de 60 a 70 por cento. A literatura de rinoplastia registra taxas de revisão em torno de 5 a 15 por cento, e casos reconstrutivos tendem a exigir mais ajustes. Nada disso é definido por regra geral: indicação, riscos e plano são individuais e discutidos na consulta.

Quando procurar o Dr. Sella

Se o seu dorso afundou após trauma, cirurgia ou doença, se você percebe o nariz encurtando com o tempo, ou se respira cada vez pior com crostas e sangramentos, vale uma avaliação com otorrinolaringologista que também faça cirurgia reconstrutiva do nariz. O Dr. Sella atende em Maringá, com teleconsulta inicial para pacientes de outras cidades, e a conduta é definida após exame, exames complementares e investigação da causa.

Dr. Guilherme Sella
Revisado por Dr. Guilherme Sella

Otorrinolaringologista e cirurgião facial · CRM-PR 33.018 · RQE 17.984. Doutor pela FMRP-USP, fundador do Sella Learning Center. Atualizado em 2026-10-07.

Perguntas frequentes

Nariz em sela tem solução sem cirurgia?

Não. O afundamento ocorre por perda de estrutura interna, e apenas a reconstrução cirúrgica devolve suporte. Preenchedores podem disfarçar depressões muito pequenas em casos selecionados, sem corrigir respiração nem retração.

Sempre é preciso usar costela?

Não. Casos leves podem ser resolvidos com cartilagem de septo ou de orelha. Perdas moderadas e graves geralmente exigem cartilagem costal, porque é a única fonte com volume e resistência suficientes para reconstruir o pilar central.

Quanto tempo depois do trauma posso operar?

Fraturas recentes têm manejo próprio e urgente, principalmente o hematoma de septo. Para reconstruir um dorso já afundado, espera-se a estabilização dos tecidos, em geral alguns meses após o evento, com avaliação individual.

Tenho doença autoimune. Posso fazer a reconstrução?

Pode ser possível, desde que a doença esteja controlada e estável, com acompanhamento do reumatologista. Operar com inflamação ativa aumenta muito o risco de o enxerto ser reabsorvido e a deformidade retornar.

A cicatriz da costela fica aparente?

A incisão é pequena e posicionada na região inframamária ou no rebordo costal, ficando discreta com o tempo. Nos primeiros dias existe dor local ao respirar fundo e ao tossir, que melhora progressivamente.

O resultado demora quanto para aparecer?

A forma geral já é visível após a retirada da placa, por volta de 7 dias. O refinamento continua por meses, e em narizes reconstruídos o resultado definitivo pode levar de 12 a 18 meses.

Não encontrou a sua dúvida?Perguntar no WhatsApp

Tire suas dúvidas em uma consulta com o Dr. Guilherme Sella

Presencial em Maringá ou por teleconsulta. A avaliação inclui exame físico, fotografias e simulação.

ConsultaAgendar