Cirurgia da base do crânio pelo nariz.
A hipófise fica no centro da cabeça, logo atrás do nariz. Por isso tumores dessa região podem ser retirados por via endoscópica nasal, sem cortes na face e sem abrir o crânio.
A hipofisectomia transnasal endoscópica é a cirurgia em que tumores da hipófise e de outras áreas da base do crânio são retirados passando por dentro das narinas, com endoscópio e instrumentos finos, sem cortes na face e sem craniotomia. A hipófise fica atrás do fundo do nariz, separada dele por uma fina lâmina óssea, o que torna esse o caminho mais curto até a lesão. O procedimento é feito a quatro mãos: o otorrinolaringologista abre e reconstrói a via nasal e o neurocirurgião trabalha na lesão. O Dr. Guilherme Sella atua nesse tempo nasal em Maringá, com equipe de neurocirurgia.

O que é a hipofisectomia transnasal
A hipófise é uma glândula do tamanho aproximado de um grão de feijão. Ela fica dentro de uma pequena cavidade óssea chamada sela túrcica, no centro da cabeça, e comanda boa parte do sistema hormonal do corpo.
Quando um tumor cresce nessa glândula, ele pode produzir hormônios em excesso ou comprimir estruturas vizinhas, em especial os nervos da visão. O tratamento, em muitos casos, é cirúrgico.
A hipofisectomia transnasal endoscópica é a retirada dessa lesão passando por dentro das narinas. Não há incisão externa, não há corte no lábio e não há abertura do crânio. Todo o trabalho é feito com um endoscópio, uma câmera fina acoplada a uma haste rígida, que leva a imagem ampliada para um monitor, e com instrumentos alongados que passam pelas fossas nasais.
Essa abordagem faz parte de um campo maior, a cirurgia endoscópica da base do crânio, que também trata cistos, tumores da região do clivo, lesões do seio esfenoidal e fístulas de líquido cefalorraquidiano.
Por que o caminho passa pelo nariz
A razão é anatômica. Atrás do fundo do nariz existe uma cavidade aerada chamada seio esfenoidal. O teto dessa cavidade é o assoalho da sela túrcica. Em outras palavras, a hipófise está separada do nariz por uma lâmina óssea fina.
Isso significa que a via nasal é o trajeto mais curto até a glândula, sem atravessar o cérebro e sem afastar o lobo frontal. O endoscópio ainda permite olhar "para os cantos" com ópticas anguladas, enxergando áreas que seriam cegas em uma abordagem por fora.
| Aspecto | Via transnasal endoscópica | Craniotomia |
|---|---|---|
| Incisão externa | Nenhuma | Couro cabeludo e crânio |
| Trajeto até a hipófise | Direto, pelo nariz | Passa junto a estruturas cerebrais |
| Visão da sela | Ampliada e angulada | Mais limitada em alguns ângulos |
| Recuperação habitual | Mais curta | Em geral mais longa |
| Sintomas nasais no pós | Obstrução e crostas por semanas | Ausentes |
A escolha entre uma via e outra depende do tamanho da lesão, da sua extensão lateral, da relação com artérias e nervos e das condições clínicas de cada pessoa. Essa decisão é da equipe, caso a caso.
Por que otorrino e neurocirurgião operam juntos
A cirurgia moderna da base do crânio é feita a quatro mãos. Dois cirurgiões trabalham ao mesmo tempo, cada um com instrumentos nas duas fossas nasais, enquanto um deles conduz o endoscópio.
O otorrinolaringologista cuida do corredor. Ele conhece a anatomia nasal em detalhe, abre o acesso pelo septo e pelo seio esfenoidal, controla sangramento de vasos como a artéria esfenopalatina, preserva o que pode ser preservado do olfato e, ao final, reconstrói a área operada. Quando há risco de vazamento de líquido cefalorraquidiano, é ele quem prepara o retalho de mucosa do septo nasal usado para selar o defeito.
O neurocirurgião trabalha na lesão propriamente dita, dentro da sela, com a hipófise normal ao redor e estruturas nobres em volta.
Essa divisão de tarefas é a lógica da otorrinolaringologia aplicada à base do crânio. Formado em residência no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e com doutorado concluído na mesma instituição, o Dr. Sella atua no tempo nasal dessas cirurgias em Maringá, dentro da sua prática de otorrinolaringologia.
Quando a cirurgia é indicada
A indicação é definida em conjunto por endocrinologista, neurocirurgião e otorrino, a partir de exames de imagem, dosagens hormonais e avaliação da visão. Situações frequentes:
- Tumores que comprimem o quiasma óptico, com perda de campo visual, em geral da visão lateral.
- Tumores produtores de hormônio, como os que causam acromegalia ou doença de Cushing.
- Lesões que crescem em acompanhamento por imagem.
- Apoplexia hipofisária, sangramento dentro do tumor, situação que pode exigir cirurgia com urgência.
- Cistos e outras lesões da região selar com sintomas.
Nem todo tumor de hipófise precisa de cirurgia. Prolactinomas, por exemplo, costumam responder bem a medicação, e microadenomas sem sintomas podem apenas ser acompanhados. Essa é uma decisão individual.
Como é o preparo e a cirurgia
Antes da cirurgia são feitos ressonância magnética da sela, exames hormonais completos, avaliação oftalmológica com campo visual e exame endoscópico do nariz. O exame nasal é importante para mapear desvios de septo, inflamação e variações anatômicas do seio esfenoidal.
A cirurgia é feita sob anestesia geral. O tempo varia bastante conforme a lesão. Em linhas gerais, a sequência é:
- Preparo das fossas nasais e descongestão da mucosa.
- Acesso ao seio esfenoidal, muitas vezes com um pequeno trabalho no septo posterior.
- Abertura do assoalho da sela túrcica.
- Ressecção da lesão pelo neurocirurgião, com controle endoscópico.
- Reconstrução, que pode usar gordura, enxertos e o retalho de mucosa do septo quando há saída de líquido cefalorraquidiano.
- Curativo nasal conforme o caso.
Tampões nasais nem sempre são necessários. Quando usados, costumam ficar poucos dias.
Recuperação: o que esperar
A internação é hospitalar e inclui controle hormonal rigoroso nos primeiros dias, porque a manipulação da hipófise pode alterar a produção de cortisol e de hormônio antidiurético. Sede intensa e urina muito clara em grande volume são sinais que a equipe monitora de perto.
Do ponto de vista nasal, o período de crostas e obstrução é o que mais incomoda. Ele costuma durar algumas semanas, até a mucosa cicatrizar.
| Fase | O que costuma acontecer |
|---|---|
| Primeiros dias | Internação, controle hormonal, nariz entupido, dor de cabeça leve |
| 1 a 2 semanas | Crostas e secreção, lavagem nasal com soro várias vezes ao dia |
| 3 a 6 semanas | Limpezas endoscópicas no consultório, melhora progressiva do ar |
| 2 a 3 meses | Mucosa estabilizada, olfato em recuperação na maioria dos casos |
Orientações comuns no pós-operatório: não assoar o nariz, evitar esforço físico intenso, evitar prender a respiração para fazer força, manter a cabeceira elevada nas primeiras noites e seguir à risca a lavagem nasal com soro. Quem usa CPAP precisa combinar com a equipe o momento de retomar o aparelho.
O acompanhamento envolve consultas com endocrinologista, ressonância de controle e revisões com o otorrino para limpeza da cavidade nasal. Quem mora fora de Maringá pode organizar parte desse seguimento na cidade de origem, como descrito na página para pacientes de outras cidades.
Riscos e sinais de alerta
Toda cirurgia tem riscos. Nessa região, os principais são fístula de líquido cefalorraquidiano, alterações hormonais que podem exigir reposição, sangramento nasal, sinusite, alteração do olfato e, com menor frequência, complicações visuais ou vasculares.
Procure atendimento imediato se, no pós-operatório, aparecer saída de líquido claro pelo nariz em gotejamento contínuo, sobretudo ao inclinar a cabeça para a frente, dor de cabeça forte com rigidez de nuca e febre, piora da visão ou sangramento abundante.
A cirurgia pelo nariz não é uma cirurgia pequena. Ela é uma cirurgia de grande porte feita por um caminho menos invasivo, com uma equipe treinada para isso.
Quando procurar o Dr. Sella
Se você tem um diagnóstico de tumor de hipófise ou outra lesão da base do crânio e foi orientado a avaliar a via endoscópica nasal, uma consulta com o otorrino ajuda a entender o trajeto da cirurgia, a condição do seu nariz e o que esperar da recuperação. O mesmo vale para queixas nasais persistentes após uma cirurgia desse tipo feita em outro serviço.
A avaliação inclui exame endoscópico do nariz e revisão dos seus exames de imagem. A indicação cirúrgica é sempre conjunta com a neurocirurgia e a endocrinologia. Você pode ver mais sobre a formação do Dr. Sella ou entrar em contato com a equipe em Maringá.
Perguntas frequentes
A hipofisectomia transnasal deixa cicatriz no rosto?
Não. Todo o acesso é feito por dentro das narinas, com endoscópio. Não há incisão na face, no lábio ou no couro cabeludo.
Quem opera, o otorrino ou o neurocirurgião?
Os dois, na mesma cirurgia. O otorrinolaringologista faz o acesso pelo nariz e a reconstrução ao final, e o neurocirurgião trabalha na lesão dentro da sela túrcica.
Quanto tempo fico internado?
A internação é hospitalar e dura alguns dias, principalmente para controle hormonal e observação de sinais de fístula. O tempo exato depende do caso e da evolução de cada paciente.
O nariz fica entupido depois da cirurgia?
Sim, por algumas semanas. Crostas e secreção são esperadas até a mucosa cicatrizar. Lavagem nasal com soro e limpezas endoscópicas no consultório aceleram essa fase.
Vou perder o olfato?
A maioria das pessoas recupera o olfato ao longo de semanas a meses. Alterações duradouras podem ocorrer, sobretudo em acessos mais amplos, e isso é discutido antes da cirurgia.
Todo tumor de hipófise precisa de cirurgia?
Não. Prolactinomas costumam responder a medicação e pequenas lesões sem sintomas podem ser apenas acompanhadas. A decisão é individual e envolve endocrinologia, neurocirurgia e otorrinolaringologia.
Tire suas dúvidas em uma consulta com o Dr. Guilherme Sella
Presencial em Maringá ou por teleconsulta. A avaliação inclui exame físico, fotografias e simulação.

