Enxerto de septo: a primeira escolha em rinoplastia.
A cartilagem do próprio septo é o material mais usado para sustentar, alinhar e definir o nariz. Entenda a anatomia, o limite de segurança da retirada e o que fazer quando a reserva é pequena.
O enxerto de septo é cartilagem retirada do próprio septo nasal durante a rinoplastia e reposicionada para sustentar, alinhar e definir o nariz. É a primeira escolha porque está no mesmo campo cirúrgico, não exige incisão adicional em outra área do corpo, tem rigidez e formato retos favoráveis e baixo risco de reabsorção ou deformidade tardia. A retirada sempre respeita o L de sustentação, uma faixa de cartilagem de cerca de 10 a 15 mm no dorso e na columela que mantém o nariz em pé. O Dr. Guilherme Sella avalia a reserva disponível na consulta, com exame interno e ultrassom quando indicado.

O que é o enxerto de septo
O septo nasal é a parede que separa as duas fossas nasais. A porção da frente é cartilagem, chamada cartilagem quadrangular. A porção de trás é óssea. Durante a rinoplastia, o cirurgião abre os dois lados da mucosa que recobrem essa cartilagem e pode retirar uma porção central dela.
Essa cartilagem retirada não é descartada. Ela é esculpida e usada como material de construção dentro do próprio nariz. Daí o nome enxerto de septo. É o enxerto autólogo mais usado no mundo em rinoplastia, tanto em cirurgia primária quanto em revisão.
A lógica é simples. O nariz precisa de estrutura para manter forma e respiração ao longo das décadas. Quando se reduz um dorso, se afina uma ponta ou se corrige um desvio, parte do suporte original é alterada. Devolver suporte com cartilagem resistente é o que separa um resultado estável de um resultado que muda mal com o tempo. Essa é a base da rinoplastia estruturada.
Anatomia: de onde sai a cartilagem
A cartilagem quadrangular se articula atrás com a lâmina perpendicular do etmoide e embaixo com o vômer e a crista maxilar. Na frente, ela tem duas bordas que importam muito:
- Borda dorsal, que forma a linha do dorso logo abaixo da pele e do osso nasal.
- Borda caudal, que sustenta a columela, a coluninha de pele entre as narinas.
O que se colhe é a parte central e posterior dessa cartilagem, a região que não participa diretamente do suporte externo. A mucosa é descolada dos dois lados e recolocada no final, o que permite a cicatrização do espaço deixado.
O L de sustentação: o limite que não se ultrapassa
As duas bordas citadas acima formam uma figura em L quando vistas de lado. Esse L é o alicerce do nariz. Por convenção cirúrgica consagrada, preserva-se uma faixa de cerca de 10 a 15 mm de largura no dorso e na columela.
Quando esse limite é violado, as consequências aparecem meses ou anos depois:
- Afundamento do dorso, conhecido como nariz em sela.
- Queda e perda de projeção da ponta.
- Retração da columela e narinas assimétricas.
- Colapso da válvula nasal e piora progressiva da respiração.
Essas são justamente algumas das situações que levam à rinoplastia secundária. Por isso a colheita de septo é um passo técnico de precisão, feito sob visão direta, e não uma simples retirada de cartilagem.
Vale uma observação. Nas técnicas de preservação de dorso, como push down e let down, o dorso original é mantido e rebaixado em bloco. Isso muda a quantidade e o tipo de enxerto necessário em muitos casos, e foi tema de artigos do Dr. Sella publicados na Facial Plastic Surgery Clinics of North America.
Quanto de cartilagem de septo está disponível
Não existe um número fixo. Em um septo que nunca foi operado, a reserva central costuma ser suficiente para os enxertos mais comuns de uma rinoplastia primária, como spreaders, strut columelar e enxertos de ponta. Alguns fatores reduzem essa reserva:
- Septoplastia prévia, que normalmente removeu exatamente a área central que serviria de enxerto.
- Desvios acentuados e fraturas antigas, que deixam a cartilagem curva, fina ou fragmentada.
- Calcificação, mais comum com o avanço da idade, que torna o material quebradiço.
- Cartilagem constitucionalmente fina, que serve para camuflagem e tem pouca força estrutural.
- Cirurgias de ponta prévias, que aumentam a demanda de enxerto no mesmo paciente.
O cirurgião precisa dessa estimativa antes de entrar na sala, porque dela depende o plano B. Em rinoplastia funcional associada, parte da cartilagem retirada já tinha indicação de saída para corrigir o desvio, e o mesmo material volta como enxerto.
Para que serve o enxerto de septo
| Tipo de enxerto | Função principal |
|---|---|
| Spreader grafts | Abrem a válvula nasal interna e corrigem o dorso em V invertido |
| Spreader estendido | Sustenta e reposiciona a ponta, alinha desvios |
| Strut columelar | Mantém projeção e rotação da ponta |
| Enxerto caudal estendido | Corrige retração columelar e dá suporte à base |
| Enxerto de ponta, tipo onlay ou shield | Define e projeta a ponta |
| Enxerto de camuflagem no dorso | Suaviza irregularidades e assimetrias |
| Batten e enxerto de rebordo alar | Evitam colapso da asa nasal na inspiração |
A mesma cartilagem pode ser cortada, afinada, amassada ou empilhada conforme a necessidade. Em pele fina, o cirurgião tende a usar enxertos mais finos e bem camuflados, já que qualquer borda pode se tornar visível com o tempo.
Quando o septo não é suficiente
Se a reserva é pequena, existem duas alternativas clássicas, cada uma com um perfil diferente.
| Fonte | Rigidez | Formato | Quantidade | Uso típico |
|---|---|---|---|---|
| Septo | Média a alta | Reto | Limitada | Suporte estrutural e definição em geral |
| Orelha | Baixa a média | Curvo e elástico | Moderada | Camuflagem, enxertos de ponta e rebordo alar |
| Costela | Alta | Reto e abundante | Ampla | Reconstrução, revisões, nariz em sela, grandes projeções |
A cartilagem da orelha é retirada da concha, sem alterar o formato externo. A costela entra quando há necessidade de muito volume ou de suporte forte, situação comum em revisões, e está detalhada na página sobre rinoplastia com costela.
A escolha do enxerto é consequência do que precisa ser construído. Ela se define no planejamento, não no improviso durante a cirurgia.
Como esse planejamento é feito na consulta
A consulta dura cerca de uma hora e inclui exame interno do nariz, fotografias padronizadas e simulação digital com semelhança aproximada de 60 a 70 por cento em relação ao resultado final. O exame interno permite estimar a espessura, a posição e a integridade da cartilagem septal.
Quando indicado, o ultrassom dermatológico de alta frequência complementa a avaliação. Ele mostra a espessura da pele, enxertos prévios, preenchedores, fraturas e a vascularização da columela, informações que mudam a estratégia de enxertia e, em revisões, ajudam na escolha da costela.
Pacientes de outras cidades fazem a avaliação inicial por teleconsulta e trazem os exames prontos. Os detalhes de deslocamento e retornos estão na página para pacientes de outras cidades.
Recuperação quando há enxerto de septo
O pós-operatório é semelhante ao de qualquer rinoplastia. A placa externa permanece cerca de sete dias e a esparadrapagem segue por mais uma semana. Tampão nasal não é usado na maioria dos casos, e um splint interno de silicone pode ficar por cerca de dez dias quando o septo foi muito trabalhado.
O resultado definitivo aparece entre seis e doze meses, podendo chegar a dezoito meses em pele espessa e em revisões. A taxa de revisão descrita na literatura de rinoplastia fica entre 5 e 15 por cento, e qualquer reavaliação cirúrgica é discutida após doze meses. Mais orientações estão na página de pós-operatório.
Quando procurar o Dr. Sella
Se você está avaliando uma rinoplastia primária, já foi operado e tem dúvida sobre quanto de septo sobrou, ou percebe piora da respiração após cirurgia prévia, vale uma avaliação individual. O Dr. Sella é otorrinolaringologista com doutorado pela USP e opera função e estética na mesma cirurgia, em Maringá. A indicação, os riscos e a escolha do enxerto são definidos caso a caso, sempre em consulta.
Perguntas frequentes
Retirar cartilagem do septo prejudica a respiração?
Quando a retirada respeita o L de sustentação e a mucosa dos dois lados é preservada, a respiração não é prejudicada. Em muitos casos ela melhora, porque a mesma manobra corrige o desvio do septo.
O enxerto de septo pode ser absorvido pelo corpo?
A cartilagem do próprio paciente tem integração previsível e baixo risco de reabsorção significativa. Pequenas mudanças de forma ao longo dos meses fazem parte da cicatrização e são consideradas no planejamento.
Quem já fez septoplastia pode usar enxerto de septo?
Depende do quanto de cartilagem foi removido na cirurgia anterior. Muitas vezes a reserva central já saiu, e o plano passa a incluir cartilagem de orelha ou de costela. Isso é avaliado no exame interno e, quando necessário, com exames de imagem.
O enxerto de septo deixa o nariz duro ou com aspecto artificial?
O objetivo do enxerto é dar suporte interno sem criar bordas visíveis. Em pele fina, o cirurgião usa enxertos mais finos e técnicas de camuflagem. O resultado depende da anatomia individual e é discutido antes da cirurgia.
É possível saber antes da cirurgia quanta cartilagem existe disponível?
É possível estimar com exame interno, histórico de cirurgias e, em casos selecionados, ultrassom de alta frequência e tomografia. Essa estimativa orienta o plano principal e a alternativa, que é combinada com o paciente antes da data.
Usar enxerto de septo aumenta o tempo de cirurgia?
A colheita e a modelagem do enxerto fazem parte do tempo habitual de uma rinoplastia, que costuma variar de três a cinco horas. Revisões e casos com costela tendem a ser mais longos.
Tire suas dúvidas em uma consulta com o Dr. Guilherme Sella
Presencial em Maringá ou por teleconsulta. A avaliação inclui exame físico, fotografias e simulação.

