Spreader graft: o enxerto que protege a respiração.
Um dos enxertos mais usados da rinoplastia moderna, o spreader graft existe para evitar que o nariz afunile e feche depois da cirurgia. Nem todo nariz precisa dele, e entender por quê muda a conversa na consulta.
O spreader graft é uma tira fina de cartilagem, em geral retirada do septo, posicionada entre o septo dorsal e as cartilagens laterais superiores. Ele tem duas funções principais: abrir a válvula nasal interna, área mais estreita das vias aéreas, e reconstruir o dorso depois que a giba é removida, evitando a deformidade em V invertido. É indicado em narizes estreitos, com teto aberto, septo desviado ou em revisões. Na rinoplastia de preservação, o dorso não é aberto e o enxerto costuma ser dispensável. O Dr. Guilherme Sella define a técnica caso a caso, na consulta.

O que é um spreader graft
Spreader graft significa, em tradução livre, enxerto espaçador. É uma tira de cartilagem, normalmente com 2 a 3 milímetros de largura e 2 a 3 centímetros de comprimento, fixada com pontos entre o septo dorsal e as cartilagens laterais superiores, que formam as paredes laterais do terço médio do nariz.
A ideia é simples. Essa tira funciona como um espaçador. Ela empurra lateralmente a parede do nariz, aumenta o ângulo da válvula nasal interna e devolve largura e sustentação ao dorso. É um dos pilares da rinoplastia estruturada e foi descrito justamente para corrigir um problema criado pelas técnicas antigas de redução.
Por que o nariz pode fechar depois de uma rinoplastia
Quando a giba dorsal é retirada com a técnica clássica, o cirurgião remove osso e cartilagem do teto do nariz. O que sobra é o chamado teto aberto, uma abertura em forma de U entre as duas metades do dorso. Se essa abertura for apenas fechada com a fratura dos ossos laterais, sem reconstrução, duas coisas podem acontecer com o tempo.
A primeira é estética. As cartilagens laterais superiores colapsam para dentro e aparece uma sombra em formato de V invertido no terço médio, com o dorso afunilado e irregular. A segunda é funcional. O ângulo da válvula nasal interna, que normalmente fica entre 10 e 15 graus, se fecha ainda mais e a respiração piora. Muitos pacientes que procuram rinoplastia secundária chegam exatamente com essa queixa: o nariz ficou menor e a respiração ficou pior.
O spreader graft nasceu para resolver esses dois problemas ao mesmo tempo.
Quando o spreader graft é indicado
A indicação é individual e definida no exame físico, com avaliação interna do nariz. Em linhas gerais, o enxerto costuma entrar em cena nas seguintes situações:
- Narizes com terço médio estreito ou ossos nasais curtos, que tendem ao colapso
- Remoção de giba média ou grande pela técnica de redução clássica
- Válvula nasal interna estreita, com manobra de Cottle positiva
- Septo desviado alto, no dorso, em que a tira de cartilagem ajuda a retificar o septo
- Deformidade em V invertido já instalada, em revisões
- Pele fina, em que qualquer irregularidade do dorso aparece
- Narizes muito longos ou tortos, que precisam de sustentação assimétrica
Existe ainda a versão estendida, o extended spreader graft, que avança além do septo em direção à ponta. Ele serve para projetar, rodar e estabilizar a ponta nasal, funcionando junto com o enxerto de extensão septal. É um recurso frequente em narizes caídos e em cirurgias de revisão.
Spreader graft, spreader flap e preservação: as opções
Nem sempre é preciso cortar uma tira de cartilagem nova. O spreader flap, também chamado de autospreader, usa a própria cartilagem lateral superior. Em vez de aparar a sobra que fica depois da remoção da giba, o cirurgião dobra essa cartilagem para dentro e a sutura ao septo. O efeito espaçador é parecido e nada precisa ser retirado do septo.
A terceira via é não abrir o teto. Na rinoplastia de preservação, a giba é removida por baixo, com as técnicas de push down ou let down, e o dorso original desce inteiro. As cartilagens laterais superiores permanecem presas ao septo. Sem teto aberto, não há o que reconstruir.
| Recurso | Como funciona | Quando costuma ser usado | Observações |
|---|---|---|---|
| Spreader graft | Tira de cartilagem suturada entre septo e cartilagens laterais | Teto aberto, válvula estreita, septo torto, revisões | Mais versátil, permite correção assimétrica |
| Spreader flap | Dobra da própria cartilagem lateral superior | Gibas pequenas e médias, cartilagem lateral generosa | Poupa cartilagem do septo, menos ajustável |
| Preservação de dorso | Dorso rebaixado em bloco, sem abrir o teto | Dorso regular, giba de altura favorável | Mantém a válvula interna intacta na maioria dos casos |
| Enxerto estendido | Spreader prolongado em direção à ponta | Ponta caída, nariz longo, nariz torto | Associa correção estética e estrutural |
A escolha depende da anatomia, da espessura da pele, do grau de desvio do septo e do objetivo estético. Não existe técnica superior em abstrato. Existe a técnica adequada para aquele nariz.
A preservação dispensa o spreader em muitos casos
Esse é um ponto que muda a expectativa do paciente. Quando o dorso é preservado, a junção entre septo e cartilagens laterais superiores continua íntegra. A válvula nasal interna não é desmontada. Por consequência, o enxerto espaçador deixa de ser necessário em boa parte dos casos, o tempo cirúrgico tende a ser menor e sobra mais cartilagem de septo para outras etapas, como o suporte da ponta.
O Dr. Sella é coautor de artigos sobre indicações e expansão de indicações da preservação de dorso publicados em revistas indexadas no PubMed, incluindo o Facial Plastic Surgery Clinics of North America. Ainda assim, a preservação tem limites. Dorsos muito irregulares, desvios altos de septo e alguns casos de revisão continuam pedindo abertura do teto e reconstrução com enxerto. Reconhecer esses limites faz parte do planejamento.
O uso do instrumento piezoelétrico na rinoplastia ultrassônica também ajuda, porque permite esculpir osso com precisão e fazer osteotomias mais controladas, o que reduz a chance de colapso do terço médio.
De onde vem a cartilagem do enxerto
A primeira escolha é quase sempre o septo nasal. A cartilagem septal é reta, firme e está no mesmo campo cirúrgico. Quando o septo já foi usado em uma cirurgia anterior ou é insuficiente, as alternativas são a cartilagem da orelha, mais curva e menos rígida, e a costela, indicada em reconstruções maiores e em rinoplastia com costela.
Na avaliação pré-operatória, o ultrassom dermatológico de alta frequência ajuda a mapear a espessura da pele, identificar enxertos prévios e avaliar a cartilagem costal antes de decidir a fonte do material. Esse recurso está disponível na clínica em Maringá e é especialmente útil em casos secundários.
O que muda no pós-operatório
O spreader graft, por si só, não prolonga de forma significativa a recuperação. Quando ele é retirado do septo, o ato de colher a cartilagem se soma à cirurgia funcional do septo e dos cornetos, e o cuidado nas primeiras semanas é o mesmo da rinoplastia em geral: cabeceira elevada, gelo nos primeiros dias, lavagem com soro, nada de assoar o nariz e placa externa por cerca de sete dias.
Duas observações são importantes. O enxerto alarga discretamente o terço médio. Em narizes muito estreitos isso é desejável. Em narizes já largos, o cirurgião precisa dosar a largura da tira para não engrossar o dorso. E o resultado final do terço médio, como no restante do nariz, leva de 6 a 12 meses para se definir, podendo chegar a 18 meses em pele espessa e em revisões. Os detalhes do dia a dia estão reunidos na página de pós-operatório.
Quando procurar o Dr. Sella
Se você tem dificuldade para respirar que piorou depois de uma rinoplastia, enxerga uma sombra em V no meio do nariz ou está planejando uma primeira cirurgia e quer entender se o seu caso pede enxerto, dorso preservado ou as duas abordagens combinadas, a definição acontece no exame.
A consulta dura cerca de uma hora e inclui exame interno do nariz, fotografias padronizadas, simulação digital e explicação da técnica proposta. Pacientes de outras cidades podem iniciar por teleconsulta. A indicação, os riscos e o plano cirúrgico são sempre individuais.
Perguntas frequentes
Spreader graft deixa o nariz mais largo?
Ele alarga discretamente o terço médio, o que costuma ser desejável em narizes estreitos ou já colapsados. Em narizes largos, a espessura da tira de cartilagem é ajustada para evitar um dorso grosso.
Spreader graft melhora a respiração?
Pode melhorar, porque abre o ângulo da válvula nasal interna, região mais estreita das vias aéreas. O ganho depende da causa da obstrução, que pode envolver septo, cornetos e válvula externa.
Dá para fazer rinoplastia sem spreader graft?
Sim. Na rinoplastia de preservação de dorso o teto nasal não é aberto e o enxerto costuma ser dispensável. Também existe a opção do spreader flap, que usa a própria cartilagem lateral superior.
O enxerto pode aparecer ou se deslocar com o tempo?
É raro quando a cartilagem é bem esculpida e fixada com suturas. Em pele muito fina pode haver visibilidade do contorno, o que é levado em conta no planejamento e na escolha da espessura.
Qual a diferença entre spreader graft e enxerto de extensão septal?
O spreader fica no dorso e atua sobre a válvula interna e o terço médio. O enxerto de extensão septal avança em direção à ponta e controla projeção e rotação. Eles podem ser usados juntos.
Preciso de costela para fazer um spreader graft?
Na maioria dos casos a cartilagem do próprio septo é suficiente. A costela entra quando o septo já foi usado em cirurgia anterior ou não oferece material adequado.
Tire suas dúvidas em uma consulta com o Dr. Guilherme Sella
Presencial em Maringá ou por teleconsulta. A avaliação inclui exame físico, fotografias e simulação.

