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Rinoplastia e ortognática: qual vem primeiro.

O avanço da maxila muda a base do nariz, a projeção da ponta e a largura das asas. Por isso a sequência das cirurgias precisa ser decidida antes da primeira incisão, e não depois.

Publicado em 3 de setembro de 2026Atualizado em 7 de outubro de 2026Revisado por Dr. Guilherme Sella6 min de leitura

Na maioria dos casos, a cirurgia ortognática vem primeiro e a rinoplastia depois. O reposicionamento da maxila muda a base óssea que sustenta o nariz: altera projeção da ponta, largura da base alar e ângulo nasolabial. Operar o nariz antes significa arriscar perder parte do resultado conquistado. O intervalo habitual é de 6 a 12 meses, tempo para o edema regredir e a consolidação óssea se completar. A exceção é a parte funcional, como septoplastia e turbinoplastia, que às vezes é antecipada ou feita no mesmo tempo cirúrgico. O Dr. Guilherme Sella define a sequência caso a caso, em conjunto com o cirurgião bucomaxilofacial.

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Dr. Guilherme Sella na clínica em Maringá · Rinoplastia e cirurgia ortognática: qual fazer primeiro
Dr. Guilherme Sella na clínica em Maringá

Por que a ordem entre as duas cirurgias importa tanto

O nariz não flutua no rosto. Ele se apoia na maxila, no osso que sustenta os dentes superiores e forma a abertura piriforme. A espinha nasal anterior, uma pequena projeção óssea na linha média, sustenta a base do septo e influencia diretamente a rotação e a projeção da ponta nasal.

A cirurgia ortognática move exatamente esse osso. Uma osteotomia Le Fort I avança, recua, sobe ou desce a maxila inteira. Tudo o que está apoiado nela acompanha o movimento. Por isso, um nariz operado antes da ortognática pode sair da cirurgia maxilar com aparência diferente da planejada.

A conclusão prática é simples. Primeiro se corrige o esqueleto. Depois se refina o envelope sobre ele.

O que a cirurgia ortognática muda no nariz

As alterações nasais após o reposicionamento maxilar são bem descritas na literatura de cirurgia craniofacial. As mais frequentes depois de um avanço de maxila são:

  • Alargamento da base alar. As asas nasais tendem a se abrir lateralmente, às vezes de forma visível. Muitos cirurgiões bucomaxilofaciais usam a sutura cinch alar justamente para conter esse efeito.
  • Rotação da ponta para cima. O avanço empurra a espinha nasal e a base do septo para frente, o que gira a ponta e abre o ângulo nasolabial.
  • Mudança na projeção aparente do dorso. Com a ponta mais projetada e o terço médio da face mais à frente, uma giba que parecia discreta pode ficar mais ou menos evidente.
  • Mudança no comprimento aparente do lábio superior. O lábio encurta e vira para fora, o que altera a relação entre columela e lábio.
  • Desvio ou tortuosidade septal. Quando a maxila sobe, o septo pode entortar por falta de espaço vertical, com impacto na respiração.

Em recuos de mandíbula ou avanços mandibulares, o nariz em si muda pouco. O que muda muito é o perfil. Um queixo mais projetado faz o mesmo nariz parecer menor. Um queixo recuado faz o mesmo nariz parecer maior. É a razão pela qual a análise facial do perfil considera nariz, lábios e mento em conjunto, como também acontece na avaliação para mentoplastia.

Ordem recomendada e intervalo entre as cirurgias

SituaçãoOrdem habitualIntervalo sugerido
Deformidade dentofacial com indicação clara de ortognáticaOrtognática, depois rinoplastia6 a 12 meses
Obstrução nasal importante antes da ortognáticaSeptoplastia ou turbinoplastia antes, ou no mesmo tempo cirúrgicoRinoplastia estética depois, 6 a 12 meses após a ortognática
Ortognática já realizada há mais de 1 anoRinoplastia quando desejadoSem restrição adicional
Rinoplastia já realizada e ortognática indicada depoisOrtognática mesmo assim, com ciência de possível retoque nasalAvaliar rinoplastia secundária após 12 meses
Paciente que recusa a ortognáticaRinoplastia isolada, com limites explicadosIndividual

O intervalo de 6 a 12 meses não é arbitrário. Nos primeiros meses após a ortognática, o rosto ainda tem edema significativo, a oclusão está em ajuste ortodôntico e a consolidação óssea não terminou. Medir e planejar um nariz nesse período leva a decisões erradas. Depois de seis meses, a forma do terço médio já está estável o suficiente para fotografias padronizadas e simulação confiável.

Quando a rinoplastia pode vir antes

Existem situações em que a sequência se inverte ou se mistura. Nenhuma delas é regra geral.

  1. Obstrução nasal grave com impacto no sono e na qualidade de vida. Nesses casos, a rinoplastia funcional ou apenas a septoplastia pode ser antecipada, deixando a parte estética para depois.
  2. Pacientes que não farão a ortognática. Alguns adultos decidem, com todas as informações, não corrigir a oclusão. A rinoplastia isolada pode melhorar muito o perfil, desde que os limites sejam explicados com honestidade.
  3. Ortognática planejada para daqui a vários anos. Em adolescentes ainda em crescimento ou em tratamento ortodôntico longo, pode haver janela para resolver função antes.
  4. Cirurgia combinada no mesmo tempo anestésico. Existem equipes que fazem ortognática e rinoplastia juntas. É uma opção descrita, com vantagem de uma única anestesia. A desvantagem é a dificuldade de prever o resultado nasal sobre uma maxila que acabou de ser movida, com edema intenso no campo cirúrgico.

Respiração: o ponto que costuma passar despercebido

Como otorrinolaringologista com doutorado em Morfofisiologia de Estruturas Faciais pelo HCFMRP-USP, o Dr. Sella avalia o interior do nariz em toda consulta, inclusive em paciente ortognático. Isso importa porque a cirurgia maxilar pode piorar a respiração nasal em alguns casos e melhorar em outros.

Quando a maxila sobe, o septo pode se desviar. Quando a maxila avança, o espaço da válvula nasal costuma melhorar. Quando há expansão rápida de maxila, o assoalho nasal se alarga. O exame interno, com endoscopia quando necessário, mostra o que está acontecendo. O planejamento da rinoplastia estruturada posterior leva em conta essa anatomia modificada.

O nariz pós-ortognático tem cicatriz interna na base, espinha nasal já manipulada e tecidos menos elásticos. Isso muda enxertos e técnica, e precisa ser mapeado antes.

O ultrassom dermatológico de alta frequência ajuda nesse mapeamento. Ele mostra espessura de pele, fibrose, placas e parafusos próximos à abertura piriforme e o trajeto vascular da columela, informações úteis quando a região já foi operada.

O que esperar do resultado final

Algumas expectativas realistas valem para quase todos:

  • A ortognática resolve o esqueleto e a oclusão. Ela não substitui a rinoplastia.
  • A rinoplastia refina o nariz. Ela não corrige mordida nem retrusão maxilar.
  • Muitos pacientes ficam satisfeitos só com a ortognática e desistem da rinoplastia. Outros percebem o nariz com mais nitidez depois que o rosto muda.
  • O resultado nasal definitivo leva de 6 a 12 meses, podendo chegar a 18 meses em pele espessa ou em casos de revisão, como explicado no pós-operatório.

Como funciona o planejamento na consulta

A consulta dura cerca de uma hora. Inclui anamnese, exame físico com exame interno do nariz, fotografias padronizadas, simulação digital e explicação da técnica proposta. Quando a ortognática ainda não foi feita, a conversa se concentra em sequência, prazos e articulação com o cirurgião bucomaxilofacial e o ortodontista. A simulação digital tem cerca de 60 a 70 por cento de semelhança com o resultado e serve para alinhar expectativas, não para prometer.

Pacientes de outras cidades fazem a avaliação inicial por teleconsulta e organizam a viagem depois. A estrutura para quem vem de fora está descrita em pacientes de outras cidades.

Quando procurar o Dr. Sella

Procure avaliação se você tem indicação de cirurgia ortognática e também incomodo com o nariz, se já fez a ortognática há mais de seis meses e quer entender o que ainda pode ser melhorado, ou se tem obstrução nasal associada à deformidade dentofacial. A indicação, os riscos e a ordem das cirurgias são sempre individuais e definidos em consulta. Para agendar presencialmente em Maringá ou por teleconsulta, veja como é a consulta ou fale pelo contato.

Dr. Guilherme Sella
Revisado por Dr. Guilherme Sella

Otorrinolaringologista e cirurgião facial · CRM-PR 33.018 · RQE 17.984. Doutor pela FMRP-USP, fundador do Sella Learning Center. Atualizado em 2026-10-07.

Perguntas frequentes

Posso fazer rinoplastia antes da cirurgia ortognática?

Pode, mas na maioria dos casos não é o ideal. O reposicionamento da maxila altera a base do nariz e pode modificar o resultado da rinoplastia já feita, o que às vezes leva a uma cirurgia de revisão depois.

Quanto tempo preciso esperar após a ortognática para fazer a rinoplastia?

O intervalo habitual é de 6 a 12 meses. Esse tempo permite que o edema facial regrida, a consolidação óssea se complete e o ajuste ortodôntico final seja concluído, o que torna o planejamento nasal mais confiável.

A cirurgia ortognática alarga o nariz?

O avanço de maxila costuma alargar a base alar e rotacionar a ponta nasal para cima. Muitos cirurgiões bucomaxilofaciais usam a sutura cinch alar para reduzir esse efeito, mas alguma alteração pode permanecer.

Dá para fazer ortognática e rinoplastia na mesma cirurgia?

É uma opção descrita e usada por algumas equipes, com a vantagem de uma única anestesia. A limitação é prever o resultado nasal sobre uma maxila recém-movida, com edema intenso, por isso a decisão é sempre individual.

Se eu fizer só a ortognática, meu nariz melhora?

O perfil costuma melhorar porque o terço médio e o queixo ficam mais equilibrados, e o mesmo nariz passa a parecer mais proporcional. Isso não corrige giba, desvio ou ponta caída, que dependem de cirurgia nasal.

A septoplastia pode ser feita antes da ortognática?

Sim, quando há obstrução nasal importante que afeta sono e qualidade de vida. A parte estética do nariz costuma ser reservada para depois da ortognática, e a avaliação otorrinolaringológica define o melhor momento.

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Presencial em Maringá ou por teleconsulta. A avaliação inclui exame físico, fotografias e simulação.

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