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Rinoplastia, ronco e apneia: o que o nariz resolve.

O nariz entupido piora o ronco e atrapalha o sono, mas quase nunca é a única causa. Veja o que a cirurgia nasal costuma melhorar, o que ela não resolve e quais exames precisam vir antes da decisão.

Publicado em 11 de setembro de 2026Atualizado em 7 de outubro de 2026Revisado por Dr. Guilherme Sella6 min de leitura

A rinoplastia pode reduzir o ronco quando existe obstrução nasal real, como desvio de septo, hipertrofia de cornetos ou colapso da válvula nasal. Ao devolver a respiração pelo nariz, a cirurgia diminui a respiração bucal e a turbulência do ar. Mas o ronco e a apneia obstrutiva do sono nascem principalmente da faringe, da base da língua, do peso corporal e da anatomia do queixo. Por isso, a cirurgia nasal isolada raramente elimina a apneia. O Dr. Guilherme Sella avalia nariz e sono em conjunto, com exame endoscópico e polissonografia quando indicado, antes de definir o plano.

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Dr. Guilherme Sella no centro cirúrgico · Rinoplastia, ronco e apneia do sono
Dr. Guilherme Sella no centro cirúrgico

Por que tanta gente associa nariz entupido a ronco

Quem respira mal pelo nariz costuma dormir de boca aberta. A boca aberta muda a posição da mandíbula e da língua durante o sono. A língua desloca para trás, o espaço da faringe diminui e o tecido mole vibra mais. Essa vibração é o ronco.

Além disso, o nariz obstruído aumenta a pressão negativa necessária para puxar o ar. Quanto mais esforço, maior a tendência de colapso das paredes da garganta. O nariz, portanto, participa do problema. Participar não é o mesmo que causar sozinho.

O que costuma obstruir o nariz

A obstrução quase sempre tem mais de um componente. Os mais frequentes são:

  • Desvio de septo, que estreita um lado ou os dois.
  • Hipertrofia de cornetos, comum em rinite alérgica e em quem usa descongestionante nasal por conta própria.
  • Colapso da válvula nasal, a região mais estreita da via aérea, logo acima da narina. Narizes finos, já operados ou com cartilagens fracas colapsam na inspiração.
  • Sinusite crônica e pólipos, que exigem tratamento clínico e, às vezes, cirurgia endoscópica.
  • Sequelas de cirurgias anteriores, com retirada excessiva de cartilagem e estreitamento da via aérea.

A rinoplastia funcional trata esses pontos no mesmo tempo cirúrgico da parte estética, quando há indicação para ambos.

O que a cirurgia nasal costuma melhorar e o que não muda

QueixaExpectativa realista após cirurgia nasal
Nariz entupido, boca seca ao acordarMelhora frequente quando há obstrução anatômica comprovada
Ronco leve, ligado à respiração bucalPode reduzir de intensidade e frequência
Ronco alto e contínuo, com pausas respiratóriasGeralmente persiste; a origem costuma ser faríngea
Apneia obstrutiva moderada ou graveCirurgia nasal isolada não é tratamento suficiente
Dificuldade para tolerar CPAP por pressão no narizMelhora do conforto e da adesão ao aparelho em muitos casos
Sonolência diurna por apneia não tratadaDepende do tratamento da apneia, não só do nariz

Essa tabela orienta a conversa. A resposta individual depende do exame, dos achados endoscópicos e do estudo do sono.

Ronco e apneia não são a mesma coisa

Ronco é som. Apneia é pausa respiratória com queda de oxigênio. Muita gente ronca sem ter apneia. E existe apneia com pouco ronco, sobretudo em mulheres e em pessoas magras.

A apneia obstrutiva do sono se mede pelo índice de apneia e hipopneia por hora de sono. A classificação clássica considera leve entre 5 e 15 eventos por hora, moderada entre 15 e 30 e grave acima de 30. Esse número vem da polissonografia, não da impressão de quem dorme ao lado.

Operar o nariz sem saber se existe apneia é tratar um sintoma e ignorar uma doença que afeta coração, pressão arterial e atenção durante o dia.

Como é a avaliação do sono antes de decidir

Na consulta, a avaliação vai além do nariz. O roteiro costuma incluir:

  1. História do sono: ronco relatado por terceiros, pausas percebidas, sono fragmentado, sonolência diurna, cansaço matinal, dor de cabeça ao acordar, pressão alta de difícil controle.
  2. Exame físico completo: septo, cornetos, válvula nasal, manobra de Cottle, avaliação da orofaringe, tamanho das amígdalas, posição da língua, projeção do queixo e circunferência do pescoço.
  3. Endoscopia nasal, que mostra o que a simples olhada na narina não mostra.
  4. Polissonografia quando há suspeita de apneia. O exame pode ser feito em laboratório do sono ou, em casos selecionados, com monitor domiciliar.
  5. Encaminhamento multidisciplinar quando necessário, para medicina do sono, pneumologia, cardiologia, nutrição ou odontologia do sono.

Quem vem de outras cidades costuma fazer a polissonografia na cidade de origem e trazer o laudo. Veja como funciona o fluxo para pacientes de fora.

O que a cirurgia faz e o que o resto do corpo faz

A via aérea é um tubo com vários pontos de estreitamento. O nariz é o primeiro. Depois vêm o palato mole, as amígdalas, a base da língua e a epiglote. A cirurgia nasal abre a porta de entrada. Ela não altera o calibre da faringe.

Por isso, fatores que continuam pesando depois da cirurgia são:

  • Peso corporal. Gordura cervical reduz o espaço faríngeo. Perda de peso tem efeito direto sobre apneia e ronco.
  • Posição ao dormir. Muita gente ronca mais em decúbito dorsal.
  • Álcool e sedativos à noite, que relaxam a musculatura da faringe.
  • Anatomia mandibular. Queixo retraído empurra a língua para trás. Em casos selecionados, a mentoplastia melhora o perfil, mas o tratamento da apneia por avanço ósseo tem indicação própria e é avaliado caso a caso.
  • Amígdalas grandes, sobretudo em adolescentes e adultos jovens.

Como a técnica cirúrgica influencia a respiração

Uma rinoplastia bem planejada protege a via aérea. Algumas decisões técnicas importam:

  • Preservar e reforçar a válvula nasal com enxertos espalhadores ou travas de cartilagem, em vez de apenas estreitar o dorso.
  • Usar técnicas de preservação de dorso, que mantêm o teto nasal e evitam estreitamentos desnecessários do terço médio.
  • Empregar o instrumento piezoelétrico nas osteotomias, com corte mais preciso e menos trauma em partes moles.
  • Em narizes já operados e com via aérea estreita, usar técnicas estruturadas com enxertos de septo, orelha ou costela para devolver suporte.

O Dr. Sella é otorrinolaringologista com doutorado pela USP em Ribeirão Preto e publica sobre indicações e limites da rinoplastia de preservação em revistas indexadas no PubMed. Essa formação explica a lógica da clínica em Maringá: função e estética no mesmo planejamento, sem sacrificar a respiração em nome do contorno.

O sono no pós-operatório

Nas primeiras semanas, o nariz fica inchado por dentro. É comum sentir mais obstrução do que antes e até roncar mais nesse período. Dormir com a cabeceira elevada, manter a lavagem nasal com soro e nunca assoar ajudam.

A respiração costuma melhorar de forma progressiva ao longo de semanas. O resultado estético definitivo leva de 6 a 12 meses. Se havia apneia antes, a reavaliação do sono pode ser repetida alguns meses depois, para medir o que mudou de fato. Os detalhes de recuperação estão em pós-operatório da rinoplastia.

Quando procurar o Dr. Sella

Procure avaliação se você ronca com frequência, acorda cansado, dorme de boca aberta, teve pausas respiratórias notadas por alguém ou convive com nariz entupido crônico. O mesmo vale se você pensa em rinoplastia estética e quer ter certeza de que a respiração será respeitada no plano cirúrgico.

A consulta dura cerca de uma hora e inclui exame interno do nariz, fotografias padronizadas e discussão de técnica. Indicação, riscos e conduta são individuais e definidos nessa avaliação. Agende pelo contato da clínica.

Dr. Guilherme Sella
Revisado por Dr. Guilherme Sella

Otorrinolaringologista e cirurgião facial · CRM-PR 33.018 · RQE 17.984. Doutor pela FMRP-USP, fundador do Sella Learning Center. Atualizado em 2026-10-07.

Perguntas frequentes

Rinoplastia cura ronco?

Não necessariamente. A cirurgia nasal pode reduzir o ronco quando existe obstrução anatômica no nariz, mas a maior parte do ronco nasce na faringe e na base da língua. A avaliação define o quanto o nariz contribui no seu caso.

Preciso de polissonografia antes da rinoplastia?

Nem todo paciente precisa. O exame é indicado quando há relato de pausas respiratórias, sonolência diurna, sono não reparador ou outros sinais de apneia obstrutiva do sono.

Quem tem apneia pode fazer rinoplastia?

Pode, desde que a apneia esteja identificada e em tratamento, com avaliação anestésica adequada. A cirurgia nasal às vezes melhora a tolerância ao CPAP, mas não substitui o tratamento da apneia.

A septoplastia sozinha resolve o ronco?

Em geral, melhora a respiração nasal e a qualidade do sono, mas não elimina o ronco por si só. O ronco costuma ter mais de um ponto de origem na via aérea.

Vou roncar mais logo depois da cirurgia?

É comum nas primeiras semanas, por causa do edema interno. A respiração tende a melhorar de forma progressiva ao longo das semanas seguintes.

Moro em outra cidade. Como faço a avaliação do sono?

A polissonografia pode ser feita na sua cidade e o laudo trazido para a consulta, que pode começar por teleconsulta antes da vinda a Maringá.

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