Como o septo é corrigido dentro da rinoplastia.
O septo é parede que separa as narinas, pilar que sustenta o dorso e fonte da melhor cartilagem do corpo para enxertos. Na rinoplastia moderna, corrigir o septo e desenhar o nariz fazem parte do mesmo tempo cirúrgico.
Dentro da rinoplastia, a septoplastia não é uma cirurgia separada. O cirurgião acessa o septo pelo mesmo campo, corrige os desvios que obstruem o ar e preserva um L de sustentação de cartilagem, com cerca de 1 a 1,5 cm nas bordas do dorso e da columela. A cartilagem retirada do meio dessa área vira enxerto, usado para reforçar válvulas, dar projeção e montar o enxerto de extensão septal, que controla a posição e a rotação da ponta. O Dr. Guilherme Sella, otorrinolaringologista com doutorado pela USP, planeja função e forma na mesma estratégia.

O que é o septo e por que ele importa para a forma do nariz
O septo é a parede central que divide as duas fossas nasais. Ele tem uma parte de cartilagem na frente e uma parte óssea atrás. Quando essa parede está torta, o ar passa mal de um lado ou dos dois.
O septo também é estrutura. Ele funciona como a viga central do nariz. A altura do dorso, a projeção da ponta e a posição da columela dependem dele. Um septo desviado costuma puxar a pirâmide nasal junto, por isso tantos narizes tortos por fora têm desvio por dentro.
E existe um terceiro papel, menos conhecido pelos pacientes. O septo é a melhor fonte de cartilagem para enxertos em rinoplastia primária. É reta, firme, fácil de esculpir e fica no mesmo campo cirúrgico, sem cicatriz adicional.
Corrigir o septo e desenhar o nariz são tarefas diferentes que compartilham a mesma anatomia. Quem opera as duas coisas junto precisa decidir o tempo todo o que remove, o que preserva e o que reaproveita.
Septoplastia isolada e septoplastia dentro da rinoplastia: o que muda
Na septoplastia isolada, o objetivo é respiratório. O cirurgião corrige o desvio e termina. Na rinoplastia, o mesmo septo é corrigido, usado como doador de enxerto e muitas vezes remodelado para sustentar a nova forma.
| Aspecto | Septoplastia isolada | Septo dentro da rinoplastia |
|---|---|---|
| Objetivo | Desobstruir o nariz | Respirar bem e sustentar a forma |
| Acesso | Incisão interna em um lado do septo | Mesmo acesso, somado ao campo da rinoplastia |
| Cartilagem retirada | Geralmente descartada | Guardada e usada como enxerto |
| Trabalho na ponta | Não é feito | Pode receber extensão septal e suportes |
| Dorso | Não é alterado | Pode ser preservado, rebaixado ou reconstruído |
| Anestesia | Geral ou sedação | Geral na maioria dos casos |
Essa é a lógica da rinoplastia funcional: a mesma anestesia resolve o que incomoda na respiração e o que incomoda no espelho, sem somar dois pós-operatórios.
Passo 1: abrir o acesso ao septo sem desmontar o nariz
O acesso ao septo é feito por dentro do nariz. O cirurgião faz uma incisão na mucosa e descola as duas camadas que revestem a cartilagem, como quem abre um envelope. A cartilagem fica exposta entre as duas folhas de mucosa.
Em rinoplastia aberta, esse acesso pode ser feito também pela separação entre as cartilagens da ponta, o que dá visão direta do ângulo entre septo e ponta nasal. Em rinoplastia fechada, todo o trabalho acontece pelas incisões internas. A escolha da via depende do grau de desvio, da necessidade de enxertos e do objetivo estético.
O descolamento cuidadoso importa muito. A mucosa é fina e vascularizada. Preservar as duas camadas reduz o risco de perfuração septal, uma das complicações possíveis desse tempo cirúrgico.
Passo 2: o L de sustentação, a regra que não se quebra
Essa é a parte mais importante para entender. Imagine a letra L deitada dentro do nariz. A haste de cima acompanha o dorso. A haste da frente acompanha a columela, a coluninha entre as narinas.
Esse L de cartilagem é o esqueleto que segura o nariz. A referência clássica da literatura é preservar cerca de 1 a 1,5 centímetro de largura em cada braço do L. Tudo que fica no meio e atrás pode ser liberado, remodelado ou retirado conforme a necessidade.
Quando o L é respeitado, o nariz mantém altura e projeção. Quando o L é enfraquecido demais, o dorso pode afundar com o tempo e a ponta pode cair. Muitas deformidades que chegam para rinoplastia secundária vêm de septoplastias antigas em que esse suporte foi comprometido.
Em desvios importantes, o L também precisa ser tratado. Existem manobras para endireitar a cartilagem remanescente, como cortes parciais, reposicionamento sobre a espinha nasal e reforço com lâminas finas de cartilagem fixadas ao lado da área torta, chamadas enxertos de reforço.
Passo 3: a cartilagem retirada vira enxerto
O fragmento retirado do centro do septo é lavado, medido e esculpido. Ele deixa de ser resto cirúrgico e passa a ser matéria-prima. Os usos mais comuns são:
- Enxertos espalhadores, colocados entre o septo e as cartilagens laterais para abrir a válvula nasal interna, área mais estreita da via aérea.
- Enxertos de reforço da válvula externa, que evitam o colapso da asa do nariz na inspiração forte.
- Suportes de columela, pequenas colunas que ajudam a manter a projeção da ponta.
- Enxertos de camuflagem, lâminas finas que disfarçam irregularidades do dorso.
- Enxertos de ponta, usados para refinar e definir contorno.
Quando o septo tem pouca cartilagem útil, por desvio antigo, trauma ou cirurgia prévia, o cirurgião pode recorrer à cartilagem da orelha ou à cartilagem de costela. Essa avaliação começa na consulta e pode ser apoiada pelo ultrassom dermatológico, que mostra pele, enxertos prévios e estruturas antes da cirurgia.
Passo 4: o enxerto de extensão septal, o leme da ponta
O enxerto de extensão septal é uma lâmina de cartilagem fixada na borda da frente do septo, prolongando o L em direção à ponta. A ponta nasal é então suturada sobre essa extensão.
Ele funciona como um leme. Com ele, o cirurgião define três coisas que o paciente percebe no espelho:
- Projeção: o quanto a ponta avança para a frente.
- Rotação: se a ponta fica mais levantada ou mais caída.
- Estabilidade: a resistência da ponta à queda com o passar dos anos e ao movimento ao sorrir.
Esse recurso é um dos pilares da rinoplastia estruturada. Ele deixa a ponta mais firme ao toque nos primeiros meses, sensação que costuma reduzir com o tempo. Nem todo nariz precisa de extensão septal. Em pacientes com boa projeção e suporte próprio, manobras de preservação de ligamentos podem bastar.
Septo, dorso e preservação
Nas técnicas de preservação de dorso, o septo tem papel ainda mais central. Para baixar a giba sem desmontar o telhado do nariz, o cirurgião remove uma faixa de cartilagem e osso na base do septo e abaixa o dorso em bloco. É o princípio do push down e do let down, tema que o Dr. Sella aborda em artigos publicados em revistas indexadas e em cursos para cirurgiões.
Isso significa que a correção do desvio e o rebaixamento do dorso usam a mesma área anatômica e precisam ser planejados juntos. Em alguns narizes desviados, a própria manobra de preservação ajuda a centralizar a pirâmide. Veja mais em rinoplastia de preservação e em rinoplastia ultrassônica, em que o instrumento piezoelétrico trabalha o osso com menos trauma de tecidos moles.
O que muda no pós-operatório
O trabalho no septo pouco altera o tempo total de recuperação, que segue o padrão da rinoplastia. Na maioria dos casos não é usado tampão nasal. Em situações selecionadas, um splint fino de silicone fica no septo por cerca de dez dias para manter a mucosa alinhada.
O nariz fica entupido por edema interno nas primeiras semanas, mesmo com o desvio corrigido. A respiração melhora de forma progressiva. Lavagem com soro, cabeceira elevada e não assoar o nariz fazem parte das orientações. O detalhamento está em pós-operatório da rinoplastia.
Vale um ponto prático. A parte funcional da cirurgia, como septoplastia, turbinoplastia e sinusectomia, costuma gerar documentação para pedido de reembolso ao plano de saúde. O atendimento é particular e a equipe orienta sobre os documentos.
Quando procurar o Dr. Sella
Se você respira mal por um lado, ronca, usa descongestionante com frequência ou não gosta da forma do nariz, vale avaliar septo e estética na mesma consulta. O exame inclui avaliação interna do nariz, fotografias padronizadas e simulação digital, com ultrassom nasal quando indicado.
A indicação, os riscos e a técnica são individuais e definidos na consulta, presencial em Maringá ou por teleconsulta inicial para quem vem de outras cidades. Saiba mais sobre a rinoplastia e sobre a logística para pacientes de fora.
Perguntas frequentes
Septoplastia e rinoplastia podem ser feitas na mesma cirurgia?
Sim. Na prática atual, a correção do septo costuma ser um tempo dentro da rinoplastia, com a mesma anestesia e o mesmo pós-operatório. Isso evita dois procedimentos separados e permite usar a cartilagem do septo como enxerto.
O que é o L de sustentação do septo?
É a faixa de cartilagem em forma de L que deve ser preservada ao longo do dorso e da columela, com referência clássica de 1 a 1,5 centímetro em cada braço. Esse L mantém a altura do dorso e a projeção da ponta.
Toda rinoplastia precisa de enxerto de extensão septal?
Não. Ele é indicado quando é preciso controlar projeção, rotação e estabilidade da ponta. Narizes com bom suporte próprio podem ser tratados com manobras de preservação de ligamentos e suturas.
Fazer septoplastia junto com a rinoplastia aumenta o tempo de recuperação?
Em geral não de forma relevante. A recuperação segue o padrão da rinoplastia, com placa externa por cerca de sete dias e melhora progressiva do inchaço interno nas primeiras semanas.
E se o septo não tiver cartilagem suficiente para os enxertos?
Nesses casos o cirurgião pode usar cartilagem da orelha ou da costela. A avaliação começa na consulta e pode contar com ultrassom nasal para estimar a quantidade e a qualidade do material disponível.
A parte funcional da cirurgia pode ser reembolsada pelo plano?
O atendimento é exclusivamente particular. A clínica fornece a documentação necessária para que o paciente solicite reembolso ao plano, inclusive da parte funcional como septoplastia e turbinoplastia.
Tire suas dúvidas em uma consulta com o Dr. Guilherme Sella
Presencial em Maringá ou por teleconsulta. A avaliação inclui exame físico, fotografias e simulação.

